Os livros que li em 2012, por Karin Hueck

Chega fim de ano, dá aquela vontade louca de fazer listas. E eis a minha dos livros que li em 2012. Separei-os por notas, com alguns comentários ao lado.

5 estrelinhas:

Ficou faltando o da Hannah Arendt, talvez o meu favorito de todos.

Ficou faltando o da Hannah Arendt, talvez o meu favorito de todos.

“Crônica de uma morte anunciada”, Gabriel García Márquez
“Do amor e outros demônios”, Gabriel García Márquez
“Eichmann em Jerusalem – um relato sobre a banalidade do mal”, Hannah Arendt
“Maus”, Art Spiegelman (ok, é uma HQ, me deixa)
“Memórias póstumas de Brás Cubas”, Machadão
“O livro dos abraços”, Eduardo Galeano
“Precisamos falar sobre Kevin”, Lionel Shriver

4 estrelinhas:

Ulysses, lá em cima. Quem entendeu, me explica?

Ulysses, lá em cima. Quem entendeu me explica.

“As armas secretas”, Julio Cortázar
“As entrevistas da Paris Review”, vários
“Canções para ninar adultos”, Fred Di Giacomo a.k.a. “The Husband” & sócio do “3 livros sobre…”
“Carcereiros”, Dráuzio Varella
“Coração tão branco”, Javier Marías
“Crash”, Alexandre Versignassi
“Fragmentos de um discurso amoroso”, Roland Barthes
“Game of thrones – a storm os swords”, George R. R. Martin
“Liebesgeschichten” (Histórias de amor), Anton Tchekov
“Medo de Sade”, Bernardo Carvalho
“O complexo de Portnoy”, Philip Roth
“O filho de mil homens”, Valter Hugo Mãe
“O grande Gatsby”, F. Scott Fitzgerald
“O livro dos seres imaginários”, Jorge Luis Borges
“O olho”, Vladimir Nabokov
“Otelo”, Shakespeare
“Ulysses”, James Joyce (não entendi o suficiente pra dar os 5 coraçõezinhos)

3 estrelinhas:

1Q84, ambaixo de tudo. Começa bem, termina meio calabresa, meio quatro queijos.

1Q84. Começa bem, termina nhé.

“1q84”, Haruki Murakami (começa 4 estrelinhas, termina 2)
“A arte de viajar”, Alain de Botton
“As correções”, Jonathan Franzen
“Bartleby, o escrivão”, Herman Melville
“Bonsai”, Alejandro Zambra
“Der Richter und sein Henker” (The judge and his hangman), Friedrich Dürrenmatt
“Ficções”, Jorge Luis Borges (outro que eu não entendi)
“Infância”, Górki (acho que hoje eu daria 4 estrelinhas)
“Mensagem”, Fernando Pessoa
“Miguel e os demônios”, Lourenço Mutarelli
“Ninguém escreve ao coronel”, Gabriel García Márquez (andei meio obcecada nele)
“O quinze”, Rachel de Queiroz
“Órfãos do Eldorado”, Milton Hatoum
“Os cus de Judas”, António Lobo Antunes
“Pinóquio”, Carlo Collodi
“Razão e sensibilidade”, Jane Austen
“Relato de um náufrago”, Gabriel García Márquez

2 estrelinhas:

Não sei dar nota baixa?

Não sei dar nota baixa?

“Castillos de cartón”, Almudena Grandes
“Do que eu falo quando falo de corrida”, Haruki Murakami (ele fala de corrida. só.)
“Os imperfeccionistas”, Tom Rachman

1 estrelinha:

ZERO estrelinhas:
“50 tons de cinza”, E. L. James (consegue ser pior do que a fama)
“Guia politicamente incorreto da filosofia”, Luis Felipe Pondé

Dá pra ver todas as capas dos livros no meu pinterest, a rede social falida que eu amo.

listas

3 livros sobre… SEXO!

1) Sexus, Henry Miller (Edições Asa)
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A gente poderia estar falando sobre o Kama Sutra, mas vamos tentar um pouco de originalidade e começar com algo que não entraria em todas as listas de “livros sobre sexo”. As credenciais: Henry Miller foi um dos autores que mais (e melhor) escreveu sobre sexo. Henry Miller também foi uma das principais influências de Anaïs Nin – grande referência em literatura “erótica”.  Então deixemos seu clássico “Trópico de Câncer” de lado e fiquemos com “Sexus” – primeiro livro da trilogia “Crucificação encarnada”. Aqui Miller cospe Blake, Céline e Buda numa velocidade assustadora, mesclados às sensuais descrições de suas aventuras eróticas com amantes casuais, sua musa Mona e a ex-esposa. Notemos  um movimento contraditório: é o narrador um ativista da libertação sexual ou um machista só preocupado com seu próprio falo? Para uma resenha maior, confira o Punk Brega. Para um livro com menos filosofia e mais ação, leia a próxima resenha.

2) A casa dos budas ditosos, João Ubaldo Ribeiro (Objetiva)
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A gente poderia estar falando sobre o Kama Sutra, mas vamos tratar de um livro REALMENTE  excitante. “A casa dos budas ditosos” deve ser uma das maiores sacanagens já escritas na Terra. Narra a vida de uma libertina inveterada que começa a vida sexual se esfregando em tios coroas e empregados submissos para depois experimentar de TUDO em sua feliz existência. Tudo mesmo: incesto, ménage, sexo anal, transas turbinadas por drogas… O livro foi criado para uma coleção da Cia das Letras inspirada nos 7 pecados capitais, mas acabou maior que a própria coleção. Nesse tratado sobre a luxúria, João Ubaldo supera mestres como Sade e Bocage e cria um novo clássico do erotismo mundial.

3) Kama Sutra, Vātsyāyana (várias edições)
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A gente poderia estar falando sobre… Ok, ok, vamos falar sobre o Kama Sutra, então! O Kama Sutra é um dos livros mais comentados e menos lidos. Ele traz, sim, um grande compêndio de posições sexuais e deve ter sido o primeiro livro a tratar só de sexo na história da humanidade, mas não é só isso. Seus versos filosofam sobre o amor, ensinam técnicas de xaveco, explicam como diferentes tamanhos de pênis “encaixam” em diferentes tamanhos de vaginas e até dão dicas de como se meter em um harém sem morrer tentando. Sua leitura vai te trazer muitas posições novas, um grande conhecimento histórico, mas pouca ereção excitação. Se sua intenção é ler livros com fortes cenas de sacanagem prefira “Um copo de cólera” do Raduam Nassar, “Mulheres” do Bukowski, “Trilogia Suja de Havana” do Pedro Juan Gutiérrez ou “Delta de Vênus”, da Anaïs Nin.

PS: Ufa, chegamos ao fim do post sem falar em “50 tons de cinza”, hein?

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Natal é tempo de… livros!

Papai Noel foi generoso este ano. Para 2013, desejo uma estante maior.

 

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1) “O clube do suicídio”, Robert Louis Stevenson (Cosac Naify)
2) “Jerusalém”, Gonçalo M. Tavares (Companhia das Letras)
3) “Blues”, Robert Crumb (Conrad)
4) “Diomedes”, Lourenço Mutarelli,  (Companhia das Letras)
5) “Street art”, não achei o autor
6) “Simbá, o marujo”, Stela Barbieri e Fernando Vilela  (Cosac Naify)

1, 3, 4 e 5 são presentes do Fred (ah vá). Os 2 e 6 são meus. E é isso, feliz natal!

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3 livros sobre… metáforas com animais

1) “A revolução dos bichos”, George Orwell (Companhia das Letras)
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Talvez você o tenha lido para a escola, talvez algum dos seus amigos o chame de livro favorito, talvez você goste de citar “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros” como seu tio gosta de citar a piada do pavê. Mas este livro de George Orwell, metáfora para a União Soviética e a ditadura de Stalin, não é tão amado à toa. Nele, um grupo de animais toma o poder de uma fazenda para administrá-la de forma igualitária. Mas logo os porcos se apossam da liderança e começam um governo que explora a população de bichinhos – ao mesmo tempo em que a empobrece-, persegue os inimigos e castiga a liberdade de expressão. Qualquer semelhança com a Rússia pós 1917 não é coincidência.


2) “Beatriz e Virgílio”, Yann Martel (Nova Fronteira)
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Eis um livro ambicioso. Nele, Yann Martel, autor de Vida de Pi (que agora virou filme em 3D e que, aliás, é outra parábola com animais) usa um burro e um bugio para representar os horrores do Holocausto. Beatriz, a burrica, e Virgílio, o macaco, (os nomes vêm do Inferno de Dante – ó a ambição aí) fazem as vezes de judeus: estão em uma terra devastada, aterrorizados, famintos e traumatizados. E aí seguem as pretensões. 1) Boa parte do livro é uma peça de teatro, recheada de diálogos existencialistas a la Beckett. 2) A outra parte descreve um bloqueio criativo que um escritor de sucesso está vivendo – no caso, o próprio Martel. 3) E por final: bem, ele usa um burro e um macaco para representar o povo judeu. Precisa de mais? O livro inteiro vira uma espécie de “reductio a Hitlerum” ególatra: em vez de usar Hitler para vencer um argumento, Martel usa o Holocausto para mostrar como é um escritor fo-da. Aí complica.

3) “Fup”, Jim Dodge (José Olympio)
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Fup é uma fábula sobre uma patinha obesa bon vivant. Certo dia, ela aparece na fazenda de vovô Jake e de seu filho Miúdo e acaba adotada. Ela adora comer – tem sete vezes o tamanho de um pato normal – e acompanhar os donos em suas peripécias. Miúdo constrói cercas e caça um famoso javali da região, e vovô Jake gosta de armas e bebe um whiskey feito em casa, que Fup adora. Até aí tudo muito lindo, tudo muito cuti-cuti, até que chega o capítulo final. Dessa vez, vai sem spoiler, mas digo apenas que é daquelas reviravoltas dignas de cinema, de Planeta dos Macacos, de Cidadão Kane etc etc. E que é altamente comovente.

tres livros sobre


O estrago da festa do livro na USP

Hoje fomos à festa do livro da USP (vai até o dia 14 de dezembro, aproveitem) e o prejuízo foi grande. Eis o estrago exposto no tapete da sala:

O meu descontrole

O meu descontrole

A colagem tá de chorar, mas os livros são esses:

1) “O nosso reino”, Valter Hugo Mãe (Editora 34)
2) “Vestido de Noiva”, Nélson Rodrigues (Nova Fronteira)
3) “Felicidade conjugal”, Tolstói (Editora 34)
4) “O assassinato e outras histórias”, Tchekov (Editora 34)
5) “Dublinesca”, Enrique Vila-Matas (Cosac Naify)
6) “História do cabelo”, Alan Pauls  (Cosac Naify)
7) “Lisístrata ou A Greve do Sexo”, Aristófanes (Editora 34)
8) “Contos maravilhoso infantis e domésticos”, Irmãos Grimm (olha que lindeza de edição, gente)  (Cosac Naify)

Já Fred, mais controlado e focado, escolheu só obras underground (e um Haroldo de Campos, vá lá).

Foco no gol

Foco no gol

 

1) “Galáxia”, Haroldo de Campos (editora 34)
2) “Taz, zona autônoma temporária”, Hakim Bey
3) “Contos reunidos”, João Antônio  (Cosac Naify)
4) “Envie meu dicionário”, Paulo Leminski e Régis Bonvicino
5) “Bórgia: Tudo é vaidade”, Jodorowsky e Milo Manara

Beijos e até o natal. Vamos tentar ser mais controlados.

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Um ótimo livro que não li: “O efeito Lúcifer”

“O efeito Lúcifer”, Philip Zimbardo
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Em 1971, um estudo de Stanford resolveu analisar a predisposição das pessoas comuns de fazer o mal. Para isso, dividiu arbitrariamente um grupo de universitários em dois e chamou uma parte de “presidiários” e a outra de “carcereiros”. Deixou todos trancados em um porão por dias e observou como aos poucos os carcereiros começaram a subjugar, humilhar e torturar os “presos”. Em 6 dias, o experimento teve de ser interrompido por causa da intensidade das crueldades. E provou: dependendo das circunstâncias, qualquer um pode virar o demônio. Philip Zimbardo, o criador do estudo, virou a maior referência mundial no assunto “maldade” e, neste livro, conta todas as descobertas dessa e de outras pesquisas sobre o assunto.

um otimo livro que não li

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