Poesia em títulos de livro

A artista Nina Katchadourian tem um projeto muito legal que virou modinha por aí: ela conta histórias por meio dos títulos de livros selecionados. Muitas vezes, o negócio acaba ficando parecido com poesia. Olha só:

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Como escrever/ Poesia muito ruim/ Fique olhando para o céu/ Destrave/ A origem do mundo.

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Um dia na praia/ Os banhistas/ Tubarão 1/ Tubarão 2/ Tubarão 3/ Violência repentina/ Silêncio.

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Otimismo/ A vida não me assusta/ Quando as coisas desmoronam/ Superimunidade/ É assim que eu vejo as coisas.

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A maneira como é/ Andando em círculos/ Aonde você for, lá você estará

Aqui no Brasil, o projeto Literatura na Lomba faz o mesmo tipo de trabalho – e qualquer um pode participar.

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Livros para assistir: “Howl/O Uivo”, poema de Allen Ginsberg virou animação

“Howl/OUivo” é um filme de Rob Epstein e Jeffrey Friedman sobre o grande clássico do poeta beat Allen Ginsberg (lançado no Brasil pela L&PM, como “O Uivo”).  Dentro da história do filme, 14 minutos são dedicados a uma animação alucinante do poema “O Uivo”, verso por verso, criada pelo artista Eric Drooker. Abaixo você pode conferir essa belo trabalho com legendas em inglês. Vale muito a pena.


-Confira também os contos de Charles Bukowski em versão desenho animado

Não conhece o poema de Allen Ginsberg? Confira um trechinho abaixo e, se curtir, compre a edição de bolso da L&PM 🙂

O Uivo
Para Carl Solomon
I

Eu vi os expoentes da minha geração, destruídos pela
loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada
em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,
hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo
contato celestial com o dínamo estrelado da
maquinaria da noite,
que pobres esfarrapados e olheiras fundas, viajaram
fumando sentados na sobrenatural escuridão dos
miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando
sobre os tetos das cidades contemplando o jazz,
que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado
e viram anjos maometanos cambaleando iluminados
nos telhados das casas de cômodos,
que passaram por universidades com olhos frios e
radiantes alucinando Arkansas e tragédias à luz
de Blake entre os estudiosos da guerra,
que foram expulsos das universidades por serem loucos
& publicarem odes obscenas nas janelas do crânio,
que se refugiaram em quartos de paredes de pintura
descascada em roupa de baixo queimando seu
dinheiro em cestos de papel escutando o Terror
através da parede,
que foram detidos em suas barbas púbicas voltando
por Laredo com um cinturão de marijuana para
Nova Iorque,
que comeram fogo em hotéis mal pintados ou
beberam terebentina em Paradise Alley, morreram ou
flagelaram seus torsos noite após noite com
som, sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília,
álcool e caralhos em intermináveis orgias,
incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula,
e clarão na mente pulando nos postes dos pólos de
Canadá & Paterson, iluminando completamente o
mundo imóvel do Tempo intermediário,
solidez de Peiote dos corredores, aurora de fundo de
quintal das verdes árvores do cemitério, porre de vinho
nos telhados, fachadas de lojas de subúrbio
na luz cintilante de neon do tráfego na
corrida de cabeça feita do prazer, vibrações de
sol e lua e árvore no tronco de crepúsculo de
inverno de Brooklyn, declamações entre latas
de lixo e a suave soberana luz da mente,
que se acorrentaram aos vagões do metrô para o
infindável percurso do Battery ao sagrado Bronx
(…)

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9 filmes de Quentin Tarantino transformados em capas de livro no estilo da editora Penguin

Hey, a dica é fresca e vem do @otaviocohen, repórter do site da SUPERINTERESSANTE: o designer Sharm Murigiah transformou os roteiros/filmes do diretor Quentin Tarantino em capas da editora Penguin. O resultado (bem bacana) você confere abaixo:

Cães de Aluguel
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Amor à queima-roupa (roteiro de Tarantino)
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Pulp Fiction

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Jackie Brown
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Kill Bill – Vol. 1
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Kill Bill – Vol 2

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À prova de morte
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Bastardos Inglórios
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Django Livre
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O papel morreu?

Com todo esse bla-bla-blá de que o papel (e os livros e as revistas) está com os dias contados, uma empresa francesa resolveu bater o martelo e resolveu a questão: não, o papel jamais morrerá.

O vídeo pode ser uma piada, mas a questão é séria. E você, o que acha?

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3 livros sobre… pescaria e o mar

Barba Ensopada de Sangue, Daniel Galera (Cia das Letras)
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Barba Ensopada de Sangue marca transformação de Daniel Galera de promessa literária para um grande escritor. Seu romance, ambientado na cidade litorânea de Garopaba, conta história de um professor de natação que se isola na praia após o suicídio paterno. Obcecado por uma revelação feita pelo pai pouco antes da morte , ele  procura o avô desaparecido – supostamente assassinado pelos moradores quando Garopaba ainda era uma pequena vila de pescadores. As baleias que deram nome à graphic novel de Galera (“Cachalote”) voltam a aparecer aqui, assim como antigos personagens de seus outros romances. A mistura de ricas descrições dos cenários, mistério policial e referências pop dá liga para um dos grandes romances brasileiros do (jovem) século XXI.

O Velho e o Mar, Ernest Hemingway  (Bertrand Brasil)
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Mestre da concisão e da objetividade narrativa, Hemingway conseguiu atingir seu grande momento literário em um pequeno e sensível romance escrito em Cuba. O Velho e o mar narra a história da  bela relação entre o jovem Manolim e o experiente pescador Santiago. O livro rendeu a Hemingway o prêmio Pulitzer, em 1952, e o ajudaria na conquista do Nobel da Literatura, dois anos depois.

Moby Dick, Herman Melville (Cosac Naif)
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Assim como “O Velho e o Mar”, Moby Dick pode ser encarada como uma metáfora da luta do homem contra as forças da natureza; uma metáfora da pequenez do homem em sua curta jornada na Terra. “Para escrever um grande livro, é preciso escolher um grande tema.”, defende Melville. E “Moby Dick” é um grande livro (a linda edição da Cosac Naif tem 656 páginas) tanto na tamanho, quanto na unanimidade como clássico da literatura, em que passou a figurar do século XX pra cá. Ele tem trechos (muitas vezes tediosos) que narram detalhadamente TUDO sobre as baleis (anatomia, hábitos, lendas,etc), grandes passagens sobre a aventura de se lançar ao mar para a pesca desses seres gigantescos (o narrador Ishmael é um homem entediado que resolve viajar o mundo num baleeiro) e memoráveis monólogos shakesperianos do Capitão Ahaab, o homem que teve a perna devorada pela baleia albina Moby Dick e jurou vingança.

tres livros sobre

 

A maravilhosa capa de “O maravilhoso mágico de Oz”

Carlo Giovani é um artista e ilustrador gaúcho (que vira e mexe faz coisas lá pra Superinteressante) caprichoso. Sua especialidade são esculturas/recortes/ilustrações em papel. Olha só a capa incrível que ele fez para “O maravilhoso mágico de Oz”, da Editora Salamandra.

E lá vem um spoiler: ele também fez uma capa para a Penguin britânica de um livro sobre – adivinhem só – a história do papel. Olha que arraso. E sim, foi tudo feito à mão.

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3 livros sobre… anarquismo!

Histórias das ideias e movimentos anarquistas, George Woodcock (L&PM)
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Lançado em dois volumes pela editora L&PM, o livro de George Woodcock é introdução perfeita pra quem quer entender o que é a filosofia política conhecida como anarquismo. Em seu primeiro volume, “História das ideias e  movimentos anarquistas” aborda e explica a teoria de pensadores como Proudhon, Bakunin, Stirner e Tolstói. Na sua segunda parte, o livro foca nas lutas dos anarquistas, sua organização em movimento e seu “fim” com a derrota dos anarquistas espanhóis para os fascistas na Guerra Civil, em 1939. Escrito nos anos 60, o livro de Woodkcock tem um final “pessimista” no qual decreta o fracasso do anarquismo e sua morte como movimento – só citando a revolta francesa de 68 em seu post-scriptum, sem nem tocar nos punks dos anos 70 ou na volta de ideias anarquistas do começo do século XXI…

Taz: Zona Autônoma Temporária, Hakim Bey (Conrad)
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TAZ é um livro escrito pelo autor Hakim Bey (pseudônimo de Peter Lamborn Wilson) que propõe uma nova forma de anarquismo – perfeita para um mundo globalizado marcado pelo surgimento da internet e pela “vitória” do capitalismo. Se a revolução permanente é uma utopia, prega Bey, criemos pequenos espaços livres e revolucionários que durem semanas, dias ou minutos. São essas festas, manifestos ou  reuniões as “Zonas Autônomas Temporárias” que dão título ao livro. A obra (elogiada por escritores beats como Burroughs e Allen Ginsberg) é curtíssima e muito influente no pensamento do século XXI. Das raves aos grupos de hackers como Anonymous, passando pela cultura open source e os festivais de verão europeus, poucos escaparam da influência (consciente ou não) desse livrinho bem-humorado e ousado cujas poucas páginas se inspiram em piratas e antigos anarquistas históricos para tentar criar um mundo novo e melhor. Mesmo que ele dure  só uma hora.


Movimento Anarquista em SP, Silvia Lang Magnani (Editora Brasiliense)
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Para encerrar a trilogia de livros anarquistas, depois de obras que abordam o passado e o presente do pensamento libertário, indicamos este livro por Silvia Lang e que resgata a história do movimento anarquista paulista. Os anarquistas foram os responsáveis pela primeira grande greve da indústria paulistana e (trazido por imigrantes espanhóis e italianos) dominou o movimento operário nacional até que a Revolução Russa de 1917 começasse uma supremacia autoritária do comunismo, entre a esquerda mundial.

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Livros pra assistir: Contos do Bukowski transformados em desenhos animados

Bom, a ideia aqui aqui é inaugurar um novo tipo de posts reunindo versões de contos e livros bacanas transfomardos em animações. Para começar, compartilho com vocês essa descoberta de uma série de desenhos animados baseados na obra do escritor americano Charles Bukowski. Bukowski é famoso por sua escrita etílica em livros como “Notas de um Velho Safado” e “Mulheres”. Sirvam-se!

Episódio 1

Episódio 2

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