Livrarias e bibliotecas de Bogotá

A Colômbia consegue a incrível façanha de ter um nível de leitura ainda mais baixo do que o do Brasil (a média é de 2,2 livros lidos ao ano por habitante, enquanto que aqui estamos com 4, segundo a Unesco). Mas isso não quer dizer que não existam alguns bons cantinhos literários por lá. Em Bogotá, estive em dois.

O Centro Cultural Gabriel García Marquez:

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E a linda biblioteca pública Luis Ángel Arango:

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A biblioteca é imensa, gratuita, e ainda tem um terraço com vista para os Andes. Estes dias, anda tendo por lá uma exposição de jovens ilustradores colombianos. Olha só:

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Livros que estamos lendo: “Envie meu dicionário: Cartas e Alguma Crítica”, Paulo Leminski e Régis Bonvicino

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O curitibano Paulo Leminski é um dos poetas mais populares do Brasil – a prova é ver seu “Toda poesia” (editado pela Cia das Letras) entre os livros mais vendidos do país, tendo desbancado, inclusive, “50 tons de cinza” na lista da Livraria Cultura. Em “Envie meu dicionário” (Editora 34), Leminski manda cartas para o amigo e escritor Régis Bonvicino nas quais analisa sua obra, faz críticas culturais, revela planos e chora mágoas. Muito interessante para compreender o lado humano do poeta e descobrir, como num making-of, seu processo de criação.
 

 

 

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3 livros… para conquistar mulheres meio intelectuais, meio de esquerda

1) “Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”, Mia Couto (Companhia das Letras)

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Quem resistiria a trechos como esse: “Dormir com alguém é a intimidade maior. Dormir, isso é que é íntimo. Um homem dorme nos braços de uma mulher e a sua alma se transfere de vez. Nunca mais encontra suas interioridades”? Eu sei que eu não. Mia Couto é um moçambicano que ama palavras, mas ama tanto mesmo que resolve inventar um monte a cada novo livro que escreve (ele nunca escondeu que sua maior inspiração é Guimarães Rosa – ah tá). Neste aqui, ele narra a história de Marianinho, que retorna a sua ilha-natal, Luar-do-chão, para se despedir e enterrar seu avô, preso anda num estado misterioso de morre-não-morre. Durante sua estadia, o rapaz se depara com seu passado e descobre segredos que a família tentava esconder, inclusive sobre a morte de sua mãe, Mariavilhosa. Olha o nome dessas pessoas/lugares. Não tem como não se encantar.

2) “A insustentável leveza do ser”, Milan Kundera (Companhia das Letras)

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A história se passa em Praga, no fim da década de 1960, bem no meio da Primavera que leva o nome da cidade. Narra a vida de três personagens: Tomas, um médico mulherengo, sua esposa Teresa e a amante de Tomás, Sabina, uma artista maluquinha, daquelas que só se envolvem com homens casados, apenas para deixá-los perdidamente apaixonados. É ela, Sabina, que tenta tocar a vida com “a insustentável leveza do ser”. O livro é recheado de triângulos amorosos, passagens de sexo caliente (“Tomas mandou Sabina andar inteiramente nua sobre um espelho”) e citações filosóficas, de Nietzsche, de Kafka, de Beethoven (ele faz algo parecido com filosofia) – tudo em meio a uma sociedade em crise. Irresistível.

3) “Budapeste”, Chico Buarque (Companhia das Letras)

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Chico Buarque, para desespero de todos os homens da nação, além de compor, cantar e tocar, também escreve – e bem. Neste livro, o ghostwriter carioca José Costa acaba na Hungria, onde se envolve com uma local, Krista. Apaixonado pela dama e pela língua húngara (“a única que o diabo respeita”), José vira Zsoze Kósta, se esquece de voltar para sua mulher no Rio, a Vanda, e adota Budapeste como novo lar. É nesse pano de fundo que José, finalmente, vira um best-seller no mundo dos autores anônimos. No meio desse amor dividido – entre duas mulheres, duas pátrias, duas línguas – quem sai apaixonado é o leitor.

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3 livros sobre… infância

por Fred Di Giacomo e Karin Hueck

Misto-Quente, Charles Bukowski (Editora L&PM)

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Como todo mundo de carne e osso Henry  Chinaski (alter-ego do escritor Charles Bukowski) também é um perdedor e a escola é seu purgatório pessoal. Seu pequeno inferno. Freud deve ter algum estudo sobre os efeitos devastadores da escola na personalidade e ego das pessoas. Humilhações, repressão e castigos são o que você suporta durante pelo menos dez malditos anos da sua vida, e nos Estados Unidos o negócio parece ser pior. Numa terra onde status é tudo, o universo escolar é dividido entre os perdedores (os losers) e os “caras legais”. Não há meio termo; ou você está com eles ou eles estão contra você.  A linguagem aqui é direta e seca. Socos no estômago do leitor são distribuídos a cada página, mas com um maldito humor negro e a fina ironia. Isso diferencia Misto-Quente de outros clássicos sobre a juventude americana. Ele é uma versão underground de “As aventuras de Tom Sawyer” e um primo distante de Huck Finn. Vive num terreno arrasado pela depressão como o de “Ratos e Homens” de Steinbeck. O livro chegou a ter sua importância para os anos 80 comparada  com a que tcve “O Apanhador no Campo de Centeio” (sua grande inspiração) para os anos 50. Sem seu humor, Bukowski teria estourado a cabeça antes de publicar qualquer coisa. Ele foi um autor que não se contentou com as “verdades” dos livros, leu como um desesperado, mas também viveu a vida desesperadamente.

– Confira uma resenha mais longa deste livro aqui.

Big Jato, Xico Sá (Cia das Letras)

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Inspirado levemente na experiência pessoal do autor, Big Jato narra, em suas poucas páginas, a infância no sertão cearense. Seu protagonista é um menino que se diverte acompanhando o pai no fedorento trabalho (que consiste em esvaziar as fossas da cidade com o caminhão Big Jato) e ouvindo as reflexões do tio doidão e beatlemaníaco. Em meio à vida de cidadezinha pequena desenrolam-se o primeiro amor (não correspondido), a descoberta do sexo (na forma da masturbação que não perdoa nem a vó) e as brigas de família.

Infância, Maksim Górki (Cosac Naify)

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A infância na Rússia no final do século 19 era dura. Neste livro, Maxim Górki relembra os primeiros anos de sua vida, em meio a muito frio, muito abandono e muitas surras. A história é digna de um pequeno Karamázov: a mãe de Górki abandona o filho para morar com um homem e o menino acaba criado por seus avós – ou melhor, sua avó: possivelmente uma das mais fortes figuras femininas da literatura russa. Sozinha, ela carrega a família nas costas, inclusive o marido alcoólatra e distante. Ainda assim, no meio de tanta desgraça, Górki narra uma história sensível, humana – alegre, por vezes – com um leve gosto de expurgação pessoal.

-Compre “Misto-Quente” de Charles Bukowski

tres livros sobre

3 marcadores de páginas de livros criativos e divertidos

Se você ainda ama livros de papel, não dá pra viver sem marcadores de páginas pra eles, certo? Bom, além daqueles marcadores óbvios que as livrarias dão de brinde pra gente, existem alguns muito criativos que podem ser comprados na internet ou feitos por você mesmo. Confira três que garimpamos essa semana:

1)Marcadores feitos com páginas de gibis

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garimpados no site Minha Estante

2) Marcadores com os pezinhos da bruxa do Mágico de Oz (tem de pés de vários personagens)

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garimpado no Pinterest

3)Marcadores faça você mesmo “Dormi Aqui”

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garimpado no blog Happy Batatinha

qualquer bobagem

O fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore

Esta animação, que ganhou o Oscar de melhor curta-metragem em 2012, conta a história de um rapaz que tem a sua casa destruída por um furacão. Com o vento, ele acaba caindo em uma terra misteriosa dominada por livros, e reconstrói a vida em uma pequena biblioteca. Lá, seus únicos amigos são os fantásticos livros voadores. O resto da história não vou contar, mas digo apenas que é lindo de morrer. Veja aí:

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livros-animados