Nesta quinta-feira (04/07) tem lançamento do livro infantil “Haicais Animais” de Fred Di Giacomo e Vanessa Prezoto

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Pensando em dar um presente para os seu filhos ou outras crianças queridas neste semestre? Que tal um livro?

Dia 04 de julho tem lançamento do colorido “Haicais Animais” na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, em Pinheiros, São Paulo. “Haicais Animais” é um livro que ensina sobre o mundo animal  – através de belas ilustrações de Vanessa Prezoto e dos textos divertidos de Fred Di Giacomo – um dos blogueiros deste 3 LIVROS SOBRE.haicais-animais

O que são haicais?
Haicais são um tipo de poesia japonesa de três linhas e, na versão de Fred, cada poeminha conta uma curiosidade sobre o mundo animal e o primeiro verso sempre rima com o terceiro.
Uma das grandes inspirações de Fred para esse estilo foi o poeta curitibano Paulo Leminski.

O livro já está a venda nas melhores livrarias e também pode ser comprado online. 🙂

Mais informações: http://www.facebook.com/events/264451047028345/?fref=ts

 

qualquer bobagem

Resenhas de clássicos: “Odisséia” de Homero

Este texto foi originalmente publicado por mim mesmo no site Punk Brega.

A “Odisséia” é o poema épico que narra todas as aventuras vividas por Ulisses – versão latina do nome de Odisseu – em seu longo retorno da Guerra de Tróia para sua casa em Ítaca. O poema, assim como a “Ilíada”, é atribuído ao poeta grego Homero, que teria vivido no século VIII a.C. (Existe uma grande polêmica sobre a existência ou não de Homero, muitos julgam que a obra é uma composição coletiva de diversos aedos gregos, reunidas por algum organizador que pode ter sido ou não Homero.)

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24 cantos que funcionam como capítulos – compõe a “Odisséia” que se divide em três grandes partes a “Telemaquia”, na qual Telêmaco, o filho de Ulisses, começa sua busca pelo pai, desaparecido há anos, depois de terminada a Guerra de Tróia; a narração no palácio de Alcino das aventuras de Ulisses até ser mantido preso pela ninfa Calipso em sua ilha; e a vingança de Ulisses, quando ele volta para Ítaca disfarçado para punir os pretendentes que querem casar com sua esposa Penélope e consomem os seus bem em grandes banquetes. Segundo Thomas W Allen, em texto de 1907, o núcleo primitivo da narrativa são as lendas – quase contos – de Ulisses no palácio de Alcino quando ele relata seu encontro com os terríveis Ciclopes, a feiticeira Circe – que transforma seus aliados em porcos – e as Sereias que procuram atrair para a morte os navegantes, com seus cantos hipnóticos. Estão neste núcleo grande parte da base das lendas/folclore ocidental.

A narrativa é focada na história de Ulisses, herói da Guerra de Tróia que na volta para casa cega o ciclope Polifemo, filho do deus dos mares Posídon – “o sacudidor de terras” –atraindo a fúria do irmão de Zeus e tendo seu regresso para casa retardado em dez anos. Após perder todos os companheiros de jornada, Ulisses se vê preso pela ninfa Calipso, que apaixonada pelo herói o retém em seu leito, sonhando em torna-lo imortal como ela. Ulisses passa os dias chorando na praia, olhando para o mar e sonhando pelo dia em que verá novamente sua terra natal. É então que a deusa Atenas se apieda do herói e passa a interceder por ele, ajudando-o a escapar da ninfa e incitando seu filho Telêmaco a ir atrás de notícias do pai. Enquanto isso em Ítaca, os nobres solteiros da região sonham em casar com Penélope a belíssima esposa de Ulisses – que consideram morto. Penélope, ícone de fidelidade, diz que só escolherá um novo marido quando tiver terminado de tecer a mortalha para Laertes, pai de Ulisses, mas toda a noite ela desmancha o trabalho, começando do zero no dia seguinte. Enquanto esperam, os pretendentes ficam na casa do guerreiro, matando e devorando seus porcos, bois e cabras, dormindo com suas escravas e organizando banquetes infinitos que consomem as riquezas da família.

Explicar a importância da epopéia de Ulisses para a literatura mundial é dizer porque Marx foi importante para o comunismo, ou imaginar que Chuck Berry, Elvis e os Beatles formasse uma só banda seminal para o rock ‘n’ roll. Para ficar em alguns exemplos, James Joyce estruturou seu clássico “Ulysses” em cima da Odisséia e Camões e Virgílio escreveram suas principais obras seguindo as tradições homéricas. Grande parte dos mitos, lendas, e pensamentos ocidentais têm sua base na “Ilíada” e na “Odisséia”. Vejamos, um homem injustiçado volta para se vingar de quem lhe roubou (ou tentou) os bens e o amor. Uma idéia genial do francês Alexandre Dumas em “O Conde de Monte Cristo”? Bem, o arquétipo da vingança clássica já estava escrito na terceira parte da “Odisséia”. Na mesma parte observa-se o mito da entidade fantástica que se disfarça de mendigo e testa a bondade das pessoas. Não é assim em “A Bela e a Fera” ou nas pregações bíblicas? É assim também que Ulisses volta para a casa e reconhece a fidelidade de seu servo Eumeu, o porqueiro, e a traição da escrava Melanto, que dormia com um dos pretendentes. Quando desce ao reino dos mortos, Ulisses se depara com diversas figuras do imaginário grego, entre elas o heróis de tróia Ájax e a mãe de Édipo, Epicasta, que depois serviria de base para a clássica teoria de Freud, o pai da psicanálise. Na Rapsódia VIII são descritos os esportes gregos como o pugilato, o salto, a corrida, o arco e flecha e o arremesso do disco, base das Olimpíadas. Segundo o narrador “(…) não há maior glória na vida para um homem do que alcançar alguma vitória com os pés e com as mãos”.

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A narrativa homérica é marcada pela repetição de algumas formas e trechos. As palavras que tem resposta são “aladas”, os homens valorosos são “semelhantes a um deus”. O nome de Zeus vem sempre sucedido de “Filho de Cronos” e a manhã é anunciada pela chegada da “madrugadora Aurora dos róseos dedos”. Em diversos momentos Homero trata da arte dos aedos – responsáveis por recitar em versos os feitos dos heróis aqueus, antepassados dos gregos – e de sua capacidade de prender a atenção dos ouvintes em uma história empolgante, fazendo uma referência a sua própria arte de recitar a “Odisséia”, poema de origem oral. Vale lembrar, também, que a estrutura final da obra não é linear. Séculos antes de “Pulp Fiction” virar referência na narrativa do cinema, o poema de Homero é repleto de flashbacks, histórias paralelas e mudanças de protagonista – apesar de Ulisses ser o herói e ponto de união de toda obra.

A ligação com a “Ilíada” também é recorrente, aparecendo na saga alguns dos heróis da epopéia anterior como Nestor, Menelau e as almas de Agamémmon e Aquiles. Penélope faz oposição a Helena, no papel da esposa fiel, resistente a todas as provações

Enfim, leia a “Odisséia”. Tanto se você tem um interesse acadêmico na literatura, quanto se você gosta de História, ou mesmo se você é apenas fã de uma boa história de aventura – aficionados por sagas como “Senhor dos Anéis” e “Star Wars” terão um prazer homérico em mergulhar na saga de Ulisses. Só pelo fato de você estar lendo este texto em português, você já é um dos milhões de influenciados pela cultura que deu origem aos versos do genial poeta que talvez nunca tenha.

Personagens:
Odisseu/Ulisses: herói da guerra de Tróia.
Penélope: esposa de Ulisses
Telêmaco: filho de Ulisses e de Penélope
Laertes: pai de Ulisses, vive no campo.
Eumeu: porqueiro, servo fiel de Ulisses,
Euricleia: ama de confiança
Antino: líder dos pretendentes o mais malvado de todos
Eurimaco: um dos pretendentes
Alcino: rei dos feácios, hábeis navegantes
Areta: esposa de Alcíno
Nausíca: filha de Alcino, se apaixona por Ulisses
Laodamante: irmão de Nausíca, desafiador de Ulisses nos jogos.
Baio: companheiro de Ulisses nas viagens marítimas
Euríloco: companheiro de Ulisses nas viagens marítimas
Perimedes: companheiro de Ulisses nas viagens marítimas
Elpenor: companheiro de Ulisses nas viagens marítimas
Atena: deusa que intercede a favor de Ulisses
Poseidon ou Posídon: irmão de Zeus, intercede contra Ulisses
Éolo: rei e deus dos ventos
Hades: deus do mundo subterrâneo
Hermes: mensageiro dos deuses
Polifemo: ciclope ferido por Ulisses devorou parte de seus companheiros

-Compre o livro

resenhas

7 livros para ser uma pessoa melhor

Livros são armas poderosas para tornar o mundo um lugar melhor. Aqui algumas sugestões de leitura para você se sentir melhor também.

1) “O Filho de Mil Homens”, Valter Hugo Mãe (Cosac Naify)

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Crisóstomo tem 40 anos e nunca teve filhos – sua maior tristeza. Sedento por uma família, ele acaba inventando uma com as pessoas que encontra ao seu redor: indivíduos inesperados –  tristes ou abandonados. E acaba provando que isso é tão família quanto todas as outras. Um livro belo e sensível.

2) “Ensaio Sobre a Cegueira”, José Saramago (Companhia das Letras)

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Quando a humanidade inteira (com exceção de uma mulher ) fica cega, aos poucos, todas as regras sociais se esvaem. O que sobra é o pior dos homens: a covardia, o egoísmo, a violência. Às vezes, é preciso ir até o inferno e voltar para se tornar alguém melhor. É o que você vai sentir lendo esse livro.

3) “Abusado”, Caco Barcellos (Record)

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Para escrever sobre os bastidores do tráfico de drogas no Rio de Janeiro, Barcellos subiu o morro Santa Marta e acompanhou de perto a vida de Juliano VP, pseudônimo de um dos chefes do tráfico local. É uma história dura, cruel – e serve para repensar a vida inteira.

4) A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen“, Eugen Herrigel

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“(…) não se deve envergonhar pelos tiros errados. Da mesma maneira, não deve felicitar-se pelos que se realizam plenamente. O senhor precisa libertar-se desse flutuar entre o prazer e o desprazer. Precisa aprender a sobrepor-se a ele com uma descontraída imparcialidade, alegrando-se como se outra pessoa tivesse feito aqueles disparos. Isso também tem que ser praticado incansavelmente, pois o senhor não imagina a importância que tem.” Atingir o equilíbrio, evitar a busca pelo prazer ou tristeza pela falha, preocupar-se mais com o ato do que com suas conseqüências. Seguir os instintos. “Comer quando se tem vontade de comer e dormir quando se tem vontade de dormir”. Esses são alguns ensinamentos dessa bela introdução à filosofia oriental

5) “Germinal”, Emilé Zola 

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Como um jornalista gonzo do século XIX, Émile Zola passou dois meses vivendo com os mineiros de carvão da França para escrever sua obra-prima, “Germinal”, um relato fiel da dura vida dos carvoeiros e do começo dos movimentos operários. Neste belo trabalho, não existem heróis ou vilãos, tanto burgueses quanto proletários são capazes de ações desprezíveis e veneráveis. Importante para abandonarmos nossa visão maniqueísta de mundo e para enxergarmos com menos preconceito a vida dos que nascem com menos.

6) “1984”, George Orwell (Companhia das Letras)

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A história aterrorizante do funcionário público que tenta se rebelar contra um estado autoritário,, manipulador e violento, liderando por um chefe onisciente e cruel, vai fazer você valorizar o nosso mundo – e vai despertar a sua vontade de lutar contra qualquer tentativa de ditadura ou autoritarismo na vida real.

7) “O Escolhido Foi Você”, Miranda July (Companhia das Letras)

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Quando Miranda July resolveu conhecer de perto a vida das pessoas que anunciam seus bens nos classificados locais, acabou trombando com algo que não esperava: histórias de vida banais, mas tão sinceras e humanas, que fazem com que ela repense sua própria existência. O mesmo vai acontecer com você.

listas

3 livros sobre… ser mulher

A convite da querida Juliana de Faria, do Think Olga, projeto bacana que quer pensar e discutir a feminilidade, elaborei esta lista. Vocês concordam?

1) “Casa de Bonecas”, Henrik Ibsen (Veredas)

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Como tantas outras obras do século 19, esta também é protagonizada por uma heroína meio fútil, em crise com seu casamento, esposa de um marido bem sucedido, com três filhos para criar. Mas, ao contrário das outras obras do século 19, nesta, a protagonista não trai o homem e acaba morta e humilhada. Nesta, Nora decide largar tudo – o marido, a casa, os filhos – para (o horror, o horror!) tentar ser feliz. E traz o seguinte diálogo:

Helmer: Você seria capaz de negar a tal ponto seus deveres mais sagrados?
Nora: E quais são meus deveres mais sagrados, no seu parecer?
Helmer: E sou eu quem precisa dizer isso? Não serão os que você tem para com seu marido e seus filhos?
Nora: Tenho outros tão sagrados como esses.
Helmer: Não tem. Quais poderiam ser?
Nora: Meus deveres para comigo mesma. (…) Creio que antes de mais nada, sou um ser humano tanto quanto você…

E Nora sai para nunca mais voltar. Um ano antes da publicação da peça, em 1878, Ibsen havia escrito que “uma mulher não pode ser ela mesma na sociedade contemporânea. A sociedade é masculina, com leis escritas por homens e com tribunais e juízes que julgam as mulheres a partir de um ponto de vista masculino”. Se você, mulher moderna do século 21, nunca sentiu isso na pele, considere-se sortuda. Fica difícil ser mais atual do que Ibsen.

2) “A Casa dos Budas Ditosos”, João Ubaldo Ribeiro (Objetiva)

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O enredo é famoso: são as memórias sexuais de uma senhora baiana de 68 anos, narrados em forma de conversa. Masturbação, sexo anal, relações com mulheres, estupro (que ela cometeu), incesto (com o irmão dela) y otras cositas más: não há nada que você possa imaginar que essa protagonista não fez – duas vezes. O tema recorrente são as possibilidades da sexualidade feminina: parecem maiores, são mais sutis – são mais buracos, afinal. E ainda traz uma pensata: “não se pode querer ver a afirmação da mulher como uma vingança, agora vamos descontar e assim por diante, essa barbárie insuportável. Então, porque supostamente os homens nos oprimiram ao longo da História, agora é a nossa vez de oprimir os homens, para eles verem o que é bom. Não concebo estupidez maior, substituir uma merda por outra, (…) O próprio machismo se voltou contra os machões, tornou o homem prisioneiro dele mesmo, obrigado a não chorar, não broxar, não afrouxar, não pedir penico.” É bom para checar como anda o machismo dentro de cada uma de nós: se você acha que homem não chora, não broxa, tem que pagar a conta no primeiro encontro, além da do motel, e ainda segurar a porta para você entrar, então é triste dizer, mas moças, somos machistas também.

3) “O Poder no Mito”, Joseph Campbell

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O livro é uma longa entrevista com Joseph Campbell, professor de literatura&mitologia&religião americano, conduzido pelo jornalista Bill Moyers. Vida, morte, felicidade, o sentido das coisas: tudo é tratado em suas 295 páginas. Moyers insiste nas perguntas de gênero (por que é a mulher a culpada pelo pecado original? qual é o papel dela nas religiões orientais? por que a reza começa com “pai nosso que está no céu” e não “mãe nossa que esta no céu?”) e Campbell não parece muito preocupado com o assunto, responde tudo rapidamente. Ainda assim, o que ele fala é valioso. Para todas as culturas, das tribos norte-americanas às comunidades indianas, o poder da mulher é o da vida – ela que gera e traz à luz todos os seres vivos, e é responsável também pela fertilidade: a dela mesma e a da Terra. Para os homens, sobram os poderes restantes: a guerra, o sacrifício, a transformação. Mas não a vida. Para nós, mulheres modernas preocupadas com a carreira, os impostos, um mundo melhor, é algo que às vezes esquecemos. Mas que não deveríamos. Poder gerar uma vida é incrível. Não há nada mais feminino – e feminista – do que isso.

tres livros sobre

 

Os 14 melhores começos de livros da História

1) “A Metamorfose”, Franz Kafka (Companhia das Letras)

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“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”.

2) “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, Machado de Assis (Globo)

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“Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mais um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.”

3) “Lolita”, Vladimir Nabokov (Alfaguara)

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“Lolita, luz da minha vida, fogo da minha carne. Minha alma, meu pecado. Lo-li-ta: a ponta da língua toca em três pontos consecutivos do palato para encostar, ao três, nos dentes. Lo. Li. Ta.”

4) “Coração Tão Branco”, Javier Marias (Companhia de Bolso)

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“Eu não quis saber, mas soube que uma das meninas, quando já não era menina e não fazia muito voltara de sua viagem de lua-de-mel, entrou no banheiro, pôs-se diante do espelho, abriu a blusa, tirou o sutiã e procurou o coração com a ponta da pistola do próprio pai, que estava na sala de almoço com parte da família e três convidados.”

5) “Anna Kariênina”, Leon Tolstoi (Cosac Naify)

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“Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma a sua maneira.”

6) “Macunaíma”, Mário de Andrade 

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“No fundo do Mato-Virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.”

7) “A Bíblia Sagrada”, vários autores

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“No princípio, Deus criou os céus e a terra.”

8) “Moby Dick”, Herman Melville (Cosac Naify)

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“Trate-me por Ishmael. Há alguns anos – não importa quantos ao certo -, tendo pouco ou nenhum dinheiro no bolso, e nada em especial que me interessasse em terra firme, pensei em navegar um pouco e visitar o mundo das águas.”

9) “O Som e a Fúria”, William Faulkner (Cosac Naify)

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“Do outro lado da cerca, pelos espaços entre as flores curvas, eles estavam tacando. Eles foram para o lugar onde estava a bandeira e eu fui seguindo junto à cerca. Luster estava procurando na grama perto da árvore florida. Eles tiraram a bandeira e aí tacaram outra vez. Então puseram a bandeira de novo e foram até a mesa, e ele tacou e o outro tacou. Então eles andaram, e eu fui seguindo junto à cerca. Luster veio da árvore florida e nós seguimos junto à cerca e eles pararam e nós paramos e eu fiquei olhando através da cerca enquanto Luster procurava na grama.”

10) “Grande Sertão: Veredas”, Guimarães Rosa (Nova Fronteira)

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“Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem, não, Deus esteja. Alvejei mira em árvore, no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço; gosto, desde mal em minha mocidade. Daí vieram me chamar. Causa de um bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser-se viu -; e com máscara de cachorro. Me disseram: eu não quis avistar.”

12) “Fim de Partida”, Samuel Beckett (Cosac Naify)

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“Acabou, está acabado, quase acabando, deve estar quase acabando.”

11) “O Tambor”, Günter Grass (Nova Fronteira)

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“Confesso: estou internado num asilo de alienados, o meu enfermeiro observa-me, tem-me quase sempre debaixo de olho; é que na porta há uma vigia e os olhos do meu enfermeiro são de um castanho que não consegue penetrar o azul dos meus.”

13) “Cem Anos de Solidão”, Gabriel García Márquez (Record)

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“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Beundía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo.”

14) “O Filho de Mil Homens”, Valter Hugo Mãe (Cosac Naify)

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“Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo.”

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