Resenhas de clássicos: “O Germinal” de Émile Zóla

publicado originalmente no site Punk Brega
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Sufocado pelo pó negro da hulha, do carvão, o grito dos mineiros explorados ecoa pelas profundezas das galerias construídas com o sangue do povo para fazer a máquina da Revolução Industrial funcionar. Foi esse grito que Émile Zola traduziu em 1881 na sua obra prima “Germinal”, uma romance realista sobre as lutas e dificuldades de uma comunidade de mineiros no interior da França.

Jornalista, assim como Balzac, um “gonzo do século XIX”, Zola defendia que “o romancista assumisse o papel de experimentador que pesquisa os caracteres hereditários do homem e as transformações que sofre em conseqüência do ambiente social em que está inserido”. A esse tipo de obra o francês chamou “romance experimental”. E é com uma riqueza de detalhes, que nos fazem crer que o livro foi escrito por um carvoeiro francês, que o autor descreve o dia-a-dia dos operários imundos das minas de Montsu usando uma linguagem realista/naturalista que nos faz lembrar “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, em sua descrição de miséria, comparando constantemente os homens e seus desejos aos animais, ressaltando a influência do meio na formação dos seres humanos, dando destaque aos instintos sexuais que levam os homens a se nivelar à mais selvagem das bestas. Afinal, no fundo somos todos animais, lutando contra a morte, fornicando, defecando e comendo numa luta diária pela sobrevivência.

 

O “Germinal” é sem dúvida um livro básico para aquele que quer entender o crepúsculo do marxismo e as revoltas populares do século XIX. Como um jornalista diante de uma grande reportagem, Émile Zola reúne os fatos que marcaram sua época como a criação da Internacional Socialista, as teorias de Karl Marx, de Charles Darwin, os atentados anarquistas, todas as ideologias revolucionárias que incendiaram um século fascinante, uma era conhecida outrora como a primavera dos povos! Lá está cada personagem típico, representante de correntes e classes do período. Há o terrorista anarquista na pele do russo Suavarin, o socialista moderado (ou social-democrata) vivido pelo taberneiro Rasseneur e o líder operário comunista, o protagonista Etienne. Chamá-lo de herói no sentido romântico da palavra não caberia aqui. No realismo do “Germinal”, o “mocinho” Etienne é cheio de dúvidas, deixa-se dominar pelo orgulho em certas horas (quando julga-se superior aos outros mineiros) e passa a maior parte da história frustrado amorosamente. Aqui o herói, o líder, é desacreditado, apedrejado, olhado com desconfiança, traído como o foram milhares de vezes os líderes revolucionários. Etienne guarda algumas leves semelhanças com Raskolnikof de “Crime e Castigo” em suas reflexões ardentes, seus delírios, sua indecisão diante de necessidade de matar, sua vaidade que no romance russo vai ao extremo de o protagonista dividir a humanidade em seres “extraordinários” e “ordinários”. Ambos são levados pela miséria a atos desesperados.

A história de “Germinal” cheia de nuances e personagens seria impossível de ser narrada aqui. Resumidamente ela destaca o trajeto de um desempregado vagando pelas estradas da França, em uma período de depressão econômica (como a dupla de andarilhos em “Ratos e homens” de Steinbeck), que chega a uma região carbonífera e acaba empregando-se numa das minas para fugir da fome. Ao mesmo tempo que trava contato com as idéias socialistas o “ex-andarilho”, Etienne se apaixona por Catherine, filha de uma família que a gerações trabalha e morre na mina Voeux. A própria mina acaba tornando-se personagem principal na história. Sempre alimentando-se dos trabalhadores ela tem sua “morte” narrada com tons dramáticos. Um dos pontos principais do livro é a greve liderada por Etienne.

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Apesar da clara tendência socialista do autor, da defesa dos proletariados e do final esperançoso, não existe maniqueísmo nas palavras de Zola. Até a burguesia tem seus lances de heroísmo (como no caso do engenheiro Negrél) e bondade. A massa, por sua vez, também é capaz das mas brutais injustiças e muitas vezes questiona-se se os trabalhadores apenas querem tornar-se novos burgueses.

A linguagem simples de Zola reconstitui sem firulas um retrato exato do cotidiano da época, mais forte talvez que as descrições frias dos historiadores. O “Germinal é uma ferramenta fundamental para se entender a luta dos trabalhadores, o ambiente propício para a expansão do socialismo e os acontecimentos espremidos entre a “Revolução Francesa”, a “Revolução Industrial” e a “Primeira Guerra Mundial”. Lê-lo é embarcar no drama dos mineiros com os pulmões negros de hulha, das mães que assistem as filhas definharem de fome, dos homens que servem de alimento para o capital, da lenta metamorfose dos camponeses de outrora em máquinas com almas.

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3 haicais sobre… animais

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1)Dá pra aceitar?
Baleia não é peixe
Mas vive no mar

2)Muito gigante
Deve ser cocô bege
Do elefante

3)Sem preconceitos!
Hamsters e ratos têm
mesmos direitos

Esses 3 haicais fazem parte do livro “Haicais Animais” do escritor e criador do blog 3 LIVROS SOBRE, Fred Di Giacomo. Se você quiser comprar o livro de dia das crianças para o seu filho é só clicar aqui. 

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listas

3 livros para crianças que os adultos adoram

Alice no País das Maravilhas, Lewis Carrol
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“Alice no País das Maravilhas” surgiu das histórias criadas de improviso por Lewis Carrol para entreter a pequena Alice Liddel e seus irmãos num passeio de barco. O livro (e sua sequência “Alice no Outro lado do Espelho”) acabou se tornando um dos maiores clássicos da literatura mundial, tendo influenciado romances cabeçudos como “Finnegans Wake” de James Joyce e a prestigiada séria de quadrinhos “Sandman”, de Neil Gaiman.

Onde vivem os monstros, Maurice Sendak
Maurice Sendak - Onde vivem os monstros

O clássico americano “Onde vivem os monstros” – criado pelo ilustrador e escritor Maurice Sendak – talvez seja o livro mais “infantil” da nossa lista, mas acabou ganhando um status cult nos EUA ao aliar grande arte, texto minimalista e sentimentos negativos vividos pelas crianças como raiva, tédio e angústia. Deu origem a um filme sombrio e adulto de mesmo nome, dirigido por Spike Jonze.

O pequeno príncipe, Saint-Exupéry
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Livro predileto das misses desse mundão de meu Deus, “O pequeno príncipe” – terceiro livro mais traduzido no mundo – esconde atrás de sua cara infantil fartas camadas de filosofia pop. A leitura do clássico existencialista de Saint-Exupéry, tavez até agrade mais adultos, já que pode soar tediosa para crianças pequenas.

Leia também:
-Resenha completa do livro “Onde vivem os monstros”
-7 livros que toda criança deveria ler

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