3 livros para crianças que os adultos adoram

Alice no País das Maravilhas, Lewis Carrol
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“Alice no País das Maravilhas” surgiu das histórias criadas de improviso por Lewis Carrol para entreter a pequena Alice Liddel e seus irmãos num passeio de barco. O livro (e sua sequência “Alice no Outro lado do Espelho”) acabou se tornando um dos maiores clássicos da literatura mundial, tendo influenciado romances cabeçudos como “Finnegans Wake” de James Joyce e a prestigiada séria de quadrinhos “Sandman”, de Neil Gaiman.

Onde vivem os monstros, Maurice Sendak
Maurice Sendak - Onde vivem os monstros

O clássico americano “Onde vivem os monstros” – criado pelo ilustrador e escritor Maurice Sendak – talvez seja o livro mais “infantil” da nossa lista, mas acabou ganhando um status cult nos EUA ao aliar grande arte, texto minimalista e sentimentos negativos vividos pelas crianças como raiva, tédio e angústia. Deu origem a um filme sombrio e adulto de mesmo nome, dirigido por Spike Jonze.

O pequeno príncipe, Saint-Exupéry
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Livro predileto das misses desse mundão de meu Deus, “O pequeno príncipe” – terceiro livro mais traduzido no mundo – esconde atrás de sua cara infantil fartas camadas de filosofia pop. A leitura do clássico existencialista de Saint-Exupéry, tavez até agrade mais adultos, já que pode soar tediosa para crianças pequenas.

Leia também:
-Resenha completa do livro “Onde vivem os monstros”
-7 livros que toda criança deveria ler

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3 livros para NÃO ler quando você tomar um pé na bunda

Acabou de terminar um romance e está a fim de ler um pouco para distrair a cabeça? PASSE LONGE DESTES 3 livros! A listinha que elaboramos abaixo reúne 3 histórias de amor com final infeliz, e que foram muito importantes para o seu tempo.

Atenção, o blog 3 LIVROS SOBRE adverte: Evite ler após um pé na bunda
1) Os sofrimentos do jovem Werther, J. Wolfgang von Goethe – Editora Nova Alexandria
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Lembra quando a música “Suicide Solution” do Ozzy Osbourne foi acusada de incentivar o suicídio de centena de jovens? Pois é, o impacto deste romance alemão  foi parecido na Europa do século XVIII. Marco do romantismo e da cultura alemã, “Os sofrimentos do jovem Werther” narra – através  de cartas – uma paixão arrebatadora que levará o apaixonado do título à tragédia. Fique longe se você estiver com o coração partido.

2) Bonsai, Alexandro  Zambra – Cosac Naif
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Primeiro romance do poeta chileno Alejandro Zambra, “Bonsai” é uma narrativa curta e contemporânea de uma história de amor entre dois jovens universitários. O primeiro parágrafo já entrega o enredo deste livro minimalista de final trágico: “No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho antes da morte dela, de Emilia. Digamos que ela se chama ou se chamava Emilia e que ele se chama, se chamava e continua se chamando Julio. Julio e Emilia. No final, Emilia morre e Julio não morre. O resto é literatura.”

3) Romeu e Julieta, William Shakespeare – Martin Claret

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Um clichê necessário, “Romeu e Julieta” – peça de William Shakespeare – é o grande símbolo do amor impossível. Na Itália renascentista, dois jovens de famílias rivais se apaixonam loucamente. O amor proibido vai levar o jovem casal à morte depois de uma sequência de erros e falhas de comunicação impossíveis de se repetirem nos nossos tempos de celular e redes sociais. O enredo da peça tem sua origem na Grécia Antiga, mas a versão de Shakespeare acabou se tornando a definitiva e ainda ganha inúmeras adaptações para teatro, literatura e cinema.

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3 livros para ateus

Religião para Ateus“, Alain De Botton.

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Ao contrário do que muita gente pensa, o principal objetivo dos ateus no mundo não é pregar o satanismo ou acabar com a sua religião favorita. (Mesmo porque, quem não acredita em Deus também não acredita em Satã, né, moçada?) No livro “Religião para Ateus“, do filósofo pop Alain de Botton, o que se propõe é uma forma de organização e religiosidade para quem não crê no pacote “Deus, vida após a morte e milagres”. Botton procura aprender com as práticas e os ritos das religiões e  procura, também, trazer essas práticas para o mundo de quem não crê em Deus. Ele enxerga vantagens em organizar sermões sobre a vida prática, por exemplo, coisa que sua “Escola pra vida” já faz. Um bom livro para ajudar os ateus a recuperarem o senso de comunidade e conforto que geralmente vem atrelado a algum tipo de religião.

O Anticristo“, Nietzsche.

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Polêmico, mal lido e admirado por muitos jovens, o pensador e filólogo Friedrich Nietzsche virou uma espécie de Che Guevara da filosofia  – com seu rosto bigodudo estampado em camisetas e capas de livro. Atrás do hype, encontra-se uma filosofia sólida na qual “O Anticristo” é talvez um dos livros mais fáceis de digerir. Aqui, Nietzsche não perde tempo falando do “anticristo” bíblico. O alemão usa seu livro para criticar duramente o catolicismo (e algumas outras religiões como o budismo e os luteranos) e no final até cria uma “lei contra o cristianismo”.  O objetivo de Nietzsche é pregar uma vida em que os homens possam ser felizes sem crenças proibitivas e dogmas que os impeçam de realizar-se plenamente.

O Evangelho Segundo Jesus Cristo“, José Saramago

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Como seria um evangelho escrito de acordo com o ótica de um Jesus mais humano, cheio de dúvidas, desejos e   cuja tragédia é inevitável destino traçado por seu pai? José Saramago cria em “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” uma obra-prima provocativa e reflexiva que reinterpreta a visão dos evangelhos de uma maneira bonita e solidária.

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3 quadrinhos eróticos para mulheres

por Fred Di Giacomo

“Omaha: a stripper”, Reed Waller e Kate Worley

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Existe algo em comum entre o seriado “Sex and the City” e as músicas do Chico Buarque? Bom, eu aposto que existe e o quadrinho “Omaha, a stripper” também possui. Sabe o que é? É aquela tal “compreensão da alma feminina” que toda mulher adora. Não à toa, essa HQ tem uma mulher envolvida na sua criação. Sim, ninguém melhor para escrever sobre sexo para mulheres do que uma mulher que não vai ficar só bolando milhares de fantasias para satisfazer homens nerds tarados. Omaha é uma gata(literalmente) criada por Reed Walker, mas cujas histórias são escritas pela sua ex-esposa Kate Worley. Ela vem do interior dos EUA e se tona stripper e modelo para ganhar a vida. Aqui a temperatura é quente, mas sem apelação com bastante espaço pro roteiro e algum romance.

“Giovanna”, Giovanna Casotto

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“Giovanna” é uma coletânea de contos com fantasias femininas estreladas por italianas voluptosas que não lembram em nada as modelos anoréxicas que desfilam nas propagandas e novelas. A autora  (Giovanna Casotto) tira fotos dela mesma – nas mais variadas posições – e depois as usa como molde para suas personagens cheias de curvas. Aviso importante: as ilustrações da senhora Casotto são extremamente explícitas.

“Essa Bunch é um amor”, Aline Kominsky-Crumb

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“Essa Bunch é um amor” não é “só” uma HQ erótica, mas fala bastante de sexo. Em suas histórias autobiográficas, Aline Kominsky-Crumb relembra como perdeu a virgindade sem muito glamour na adolescência, retrata suas aventuras como uma groupie atrás de bandas de rock n’ roll e também confessa uma pulada de cerca quando já era casada com o gênio dos quadrinhos Robert Crumb. Todos os momentos são extremamente sinceros e comuns, registrando a sexualidade feminina sem tabus, mas também sem a tradicional ótica masculina da coisa – onde o único objetivo das personagens ninfomaníacas é satisfazer as taras dos marmanjos sonhadores.

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Nesta quinta-feira (04/07) tem lançamento do livro infantil “Haicais Animais” de Fred Di Giacomo e Vanessa Prezoto

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Pensando em dar um presente para os seu filhos ou outras crianças queridas neste semestre? Que tal um livro?

Dia 04 de julho tem lançamento do colorido “Haicais Animais” na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, em Pinheiros, São Paulo. “Haicais Animais” é um livro que ensina sobre o mundo animal  – através de belas ilustrações de Vanessa Prezoto e dos textos divertidos de Fred Di Giacomo – um dos blogueiros deste 3 LIVROS SOBRE.haicais-animais

O que são haicais?
Haicais são um tipo de poesia japonesa de três linhas e, na versão de Fred, cada poeminha conta uma curiosidade sobre o mundo animal e o primeiro verso sempre rima com o terceiro.
Uma das grandes inspirações de Fred para esse estilo foi o poeta curitibano Paulo Leminski.

O livro já está a venda nas melhores livrarias e também pode ser comprado online. 🙂

Mais informações: http://www.facebook.com/events/264451047028345/?fref=ts

 

qualquer bobagem

3 livros sobre… ser mulher

A convite da querida Juliana de Faria, do Think Olga, projeto bacana que quer pensar e discutir a feminilidade, elaborei esta lista. Vocês concordam?

1) “Casa de Bonecas”, Henrik Ibsen (Veredas)

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Como tantas outras obras do século 19, esta também é protagonizada por uma heroína meio fútil, em crise com seu casamento, esposa de um marido bem sucedido, com três filhos para criar. Mas, ao contrário das outras obras do século 19, nesta, a protagonista não trai o homem e acaba morta e humilhada. Nesta, Nora decide largar tudo – o marido, a casa, os filhos – para (o horror, o horror!) tentar ser feliz. E traz o seguinte diálogo:

Helmer: Você seria capaz de negar a tal ponto seus deveres mais sagrados?
Nora: E quais são meus deveres mais sagrados, no seu parecer?
Helmer: E sou eu quem precisa dizer isso? Não serão os que você tem para com seu marido e seus filhos?
Nora: Tenho outros tão sagrados como esses.
Helmer: Não tem. Quais poderiam ser?
Nora: Meus deveres para comigo mesma. (…) Creio que antes de mais nada, sou um ser humano tanto quanto você…

E Nora sai para nunca mais voltar. Um ano antes da publicação da peça, em 1878, Ibsen havia escrito que “uma mulher não pode ser ela mesma na sociedade contemporânea. A sociedade é masculina, com leis escritas por homens e com tribunais e juízes que julgam as mulheres a partir de um ponto de vista masculino”. Se você, mulher moderna do século 21, nunca sentiu isso na pele, considere-se sortuda. Fica difícil ser mais atual do que Ibsen.

2) “A Casa dos Budas Ditosos”, João Ubaldo Ribeiro (Objetiva)

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O enredo é famoso: são as memórias sexuais de uma senhora baiana de 68 anos, narrados em forma de conversa. Masturbação, sexo anal, relações com mulheres, estupro (que ela cometeu), incesto (com o irmão dela) y otras cositas más: não há nada que você possa imaginar que essa protagonista não fez – duas vezes. O tema recorrente são as possibilidades da sexualidade feminina: parecem maiores, são mais sutis – são mais buracos, afinal. E ainda traz uma pensata: “não se pode querer ver a afirmação da mulher como uma vingança, agora vamos descontar e assim por diante, essa barbárie insuportável. Então, porque supostamente os homens nos oprimiram ao longo da História, agora é a nossa vez de oprimir os homens, para eles verem o que é bom. Não concebo estupidez maior, substituir uma merda por outra, (…) O próprio machismo se voltou contra os machões, tornou o homem prisioneiro dele mesmo, obrigado a não chorar, não broxar, não afrouxar, não pedir penico.” É bom para checar como anda o machismo dentro de cada uma de nós: se você acha que homem não chora, não broxa, tem que pagar a conta no primeiro encontro, além da do motel, e ainda segurar a porta para você entrar, então é triste dizer, mas moças, somos machistas também.

3) “O Poder no Mito”, Joseph Campbell

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O livro é uma longa entrevista com Joseph Campbell, professor de literatura&mitologia&religião americano, conduzido pelo jornalista Bill Moyers. Vida, morte, felicidade, o sentido das coisas: tudo é tratado em suas 295 páginas. Moyers insiste nas perguntas de gênero (por que é a mulher a culpada pelo pecado original? qual é o papel dela nas religiões orientais? por que a reza começa com “pai nosso que está no céu” e não “mãe nossa que esta no céu?”) e Campbell não parece muito preocupado com o assunto, responde tudo rapidamente. Ainda assim, o que ele fala é valioso. Para todas as culturas, das tribos norte-americanas às comunidades indianas, o poder da mulher é o da vida – ela que gera e traz à luz todos os seres vivos, e é responsável também pela fertilidade: a dela mesma e a da Terra. Para os homens, sobram os poderes restantes: a guerra, o sacrifício, a transformação. Mas não a vida. Para nós, mulheres modernas preocupadas com a carreira, os impostos, um mundo melhor, é algo que às vezes esquecemos. Mas que não deveríamos. Poder gerar uma vida é incrível. Não há nada mais feminino – e feminista – do que isso.

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3 livros… para conquistar mulheres meio intelectuais, meio de esquerda

1) “Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”, Mia Couto (Companhia das Letras)

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Quem resistiria a trechos como esse: “Dormir com alguém é a intimidade maior. Dormir, isso é que é íntimo. Um homem dorme nos braços de uma mulher e a sua alma se transfere de vez. Nunca mais encontra suas interioridades”? Eu sei que eu não. Mia Couto é um moçambicano que ama palavras, mas ama tanto mesmo que resolve inventar um monte a cada novo livro que escreve (ele nunca escondeu que sua maior inspiração é Guimarães Rosa – ah tá). Neste aqui, ele narra a história de Marianinho, que retorna a sua ilha-natal, Luar-do-chão, para se despedir e enterrar seu avô, preso anda num estado misterioso de morre-não-morre. Durante sua estadia, o rapaz se depara com seu passado e descobre segredos que a família tentava esconder, inclusive sobre a morte de sua mãe, Mariavilhosa. Olha o nome dessas pessoas/lugares. Não tem como não se encantar.

2) “A insustentável leveza do ser”, Milan Kundera (Companhia das Letras)

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A história se passa em Praga, no fim da década de 1960, bem no meio da Primavera que leva o nome da cidade. Narra a vida de três personagens: Tomas, um médico mulherengo, sua esposa Teresa e a amante de Tomás, Sabina, uma artista maluquinha, daquelas que só se envolvem com homens casados, apenas para deixá-los perdidamente apaixonados. É ela, Sabina, que tenta tocar a vida com “a insustentável leveza do ser”. O livro é recheado de triângulos amorosos, passagens de sexo caliente (“Tomas mandou Sabina andar inteiramente nua sobre um espelho”) e citações filosóficas, de Nietzsche, de Kafka, de Beethoven (ele faz algo parecido com filosofia) – tudo em meio a uma sociedade em crise. Irresistível.

3) “Budapeste”, Chico Buarque (Companhia das Letras)

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Chico Buarque, para desespero de todos os homens da nação, além de compor, cantar e tocar, também escreve – e bem. Neste livro, o ghostwriter carioca José Costa acaba na Hungria, onde se envolve com uma local, Krista. Apaixonado pela dama e pela língua húngara (“a única que o diabo respeita”), José vira Zsoze Kósta, se esquece de voltar para sua mulher no Rio, a Vanda, e adota Budapeste como novo lar. É nesse pano de fundo que José, finalmente, vira um best-seller no mundo dos autores anônimos. No meio desse amor dividido – entre duas mulheres, duas pátrias, duas línguas – quem sai apaixonado é o leitor.

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3 livros sobre… infância

por Fred Di Giacomo e Karin Hueck

Misto-Quente, Charles Bukowski (Editora L&PM)

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Como todo mundo de carne e osso Henry  Chinaski (alter-ego do escritor Charles Bukowski) também é um perdedor e a escola é seu purgatório pessoal. Seu pequeno inferno. Freud deve ter algum estudo sobre os efeitos devastadores da escola na personalidade e ego das pessoas. Humilhações, repressão e castigos são o que você suporta durante pelo menos dez malditos anos da sua vida, e nos Estados Unidos o negócio parece ser pior. Numa terra onde status é tudo, o universo escolar é dividido entre os perdedores (os losers) e os “caras legais”. Não há meio termo; ou você está com eles ou eles estão contra você.  A linguagem aqui é direta e seca. Socos no estômago do leitor são distribuídos a cada página, mas com um maldito humor negro e a fina ironia. Isso diferencia Misto-Quente de outros clássicos sobre a juventude americana. Ele é uma versão underground de “As aventuras de Tom Sawyer” e um primo distante de Huck Finn. Vive num terreno arrasado pela depressão como o de “Ratos e Homens” de Steinbeck. O livro chegou a ter sua importância para os anos 80 comparada  com a que tcve “O Apanhador no Campo de Centeio” (sua grande inspiração) para os anos 50. Sem seu humor, Bukowski teria estourado a cabeça antes de publicar qualquer coisa. Ele foi um autor que não se contentou com as “verdades” dos livros, leu como um desesperado, mas também viveu a vida desesperadamente.

– Confira uma resenha mais longa deste livro aqui.

Big Jato, Xico Sá (Cia das Letras)

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Inspirado levemente na experiência pessoal do autor, Big Jato narra, em suas poucas páginas, a infância no sertão cearense. Seu protagonista é um menino que se diverte acompanhando o pai no fedorento trabalho (que consiste em esvaziar as fossas da cidade com o caminhão Big Jato) e ouvindo as reflexões do tio doidão e beatlemaníaco. Em meio à vida de cidadezinha pequena desenrolam-se o primeiro amor (não correspondido), a descoberta do sexo (na forma da masturbação que não perdoa nem a vó) e as brigas de família.

Infância, Maksim Górki (Cosac Naify)

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A infância na Rússia no final do século 19 era dura. Neste livro, Maxim Górki relembra os primeiros anos de sua vida, em meio a muito frio, muito abandono e muitas surras. A história é digna de um pequeno Karamázov: a mãe de Górki abandona o filho para morar com um homem e o menino acaba criado por seus avós – ou melhor, sua avó: possivelmente uma das mais fortes figuras femininas da literatura russa. Sozinha, ela carrega a família nas costas, inclusive o marido alcoólatra e distante. Ainda assim, no meio de tanta desgraça, Górki narra uma história sensível, humana – alegre, por vezes – com um leve gosto de expurgação pessoal.

-Compre “Misto-Quente” de Charles Bukowski

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3 livros sobre… pescaria e o mar

Barba Ensopada de Sangue, Daniel Galera (Cia das Letras)
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Barba Ensopada de Sangue marca transformação de Daniel Galera de promessa literária para um grande escritor. Seu romance, ambientado na cidade litorânea de Garopaba, conta história de um professor de natação que se isola na praia após o suicídio paterno. Obcecado por uma revelação feita pelo pai pouco antes da morte , ele  procura o avô desaparecido – supostamente assassinado pelos moradores quando Garopaba ainda era uma pequena vila de pescadores. As baleias que deram nome à graphic novel de Galera (“Cachalote”) voltam a aparecer aqui, assim como antigos personagens de seus outros romances. A mistura de ricas descrições dos cenários, mistério policial e referências pop dá liga para um dos grandes romances brasileiros do (jovem) século XXI.

O Velho e o Mar, Ernest Hemingway  (Bertrand Brasil)
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Mestre da concisão e da objetividade narrativa, Hemingway conseguiu atingir seu grande momento literário em um pequeno e sensível romance escrito em Cuba. O Velho e o mar narra a história da  bela relação entre o jovem Manolim e o experiente pescador Santiago. O livro rendeu a Hemingway o prêmio Pulitzer, em 1952, e o ajudaria na conquista do Nobel da Literatura, dois anos depois.

Moby Dick, Herman Melville (Cosac Naif)
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Assim como “O Velho e o Mar”, Moby Dick pode ser encarada como uma metáfora da luta do homem contra as forças da natureza; uma metáfora da pequenez do homem em sua curta jornada na Terra. “Para escrever um grande livro, é preciso escolher um grande tema.”, defende Melville. E “Moby Dick” é um grande livro (a linda edição da Cosac Naif tem 656 páginas) tanto na tamanho, quanto na unanimidade como clássico da literatura, em que passou a figurar do século XX pra cá. Ele tem trechos (muitas vezes tediosos) que narram detalhadamente TUDO sobre as baleis (anatomia, hábitos, lendas,etc), grandes passagens sobre a aventura de se lançar ao mar para a pesca desses seres gigantescos (o narrador Ishmael é um homem entediado que resolve viajar o mundo num baleeiro) e memoráveis monólogos shakesperianos do Capitão Ahaab, o homem que teve a perna devorada pela baleia albina Moby Dick e jurou vingança.

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3 livros sobre… anarquismo!

Histórias das ideias e movimentos anarquistas, George Woodcock (L&PM)
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Lançado em dois volumes pela editora L&PM, o livro de George Woodcock é introdução perfeita pra quem quer entender o que é a filosofia política conhecida como anarquismo. Em seu primeiro volume, “História das ideias e  movimentos anarquistas” aborda e explica a teoria de pensadores como Proudhon, Bakunin, Stirner e Tolstói. Na sua segunda parte, o livro foca nas lutas dos anarquistas, sua organização em movimento e seu “fim” com a derrota dos anarquistas espanhóis para os fascistas na Guerra Civil, em 1939. Escrito nos anos 60, o livro de Woodkcock tem um final “pessimista” no qual decreta o fracasso do anarquismo e sua morte como movimento – só citando a revolta francesa de 68 em seu post-scriptum, sem nem tocar nos punks dos anos 70 ou na volta de ideias anarquistas do começo do século XXI…

Taz: Zona Autônoma Temporária, Hakim Bey (Conrad)
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TAZ é um livro escrito pelo autor Hakim Bey (pseudônimo de Peter Lamborn Wilson) que propõe uma nova forma de anarquismo – perfeita para um mundo globalizado marcado pelo surgimento da internet e pela “vitória” do capitalismo. Se a revolução permanente é uma utopia, prega Bey, criemos pequenos espaços livres e revolucionários que durem semanas, dias ou minutos. São essas festas, manifestos ou  reuniões as “Zonas Autônomas Temporárias” que dão título ao livro. A obra (elogiada por escritores beats como Burroughs e Allen Ginsberg) é curtíssima e muito influente no pensamento do século XXI. Das raves aos grupos de hackers como Anonymous, passando pela cultura open source e os festivais de verão europeus, poucos escaparam da influência (consciente ou não) desse livrinho bem-humorado e ousado cujas poucas páginas se inspiram em piratas e antigos anarquistas históricos para tentar criar um mundo novo e melhor. Mesmo que ele dure  só uma hora.


Movimento Anarquista em SP, Silvia Lang Magnani (Editora Brasiliense)
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Para encerrar a trilogia de livros anarquistas, depois de obras que abordam o passado e o presente do pensamento libertário, indicamos este livro por Silvia Lang e que resgata a história do movimento anarquista paulista. Os anarquistas foram os responsáveis pela primeira grande greve da indústria paulistana e (trazido por imigrantes espanhóis e italianos) dominou o movimento operário nacional até que a Revolução Russa de 1917 começasse uma supremacia autoritária do comunismo, entre a esquerda mundial.

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