“Relato de um Náufrago” – um livro de Gabriel García Márquez (1927 – 2014)

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Gabriel García Márquez morreu hoje. Provavelmente, seu melhor livro é o unânime “100 anos de solidão”, mas guardo especial carinho pela reportagem “Relato de um Náufrago”, que o Gabo jornalista escreveu sobre um marinheiro que passou 10 dias perdidos no mar, após o naufrágio de um navio cheio de contrabando. Uma espécie de “Vida de Pi” real. Foi minha avó materna que me emprestou o livro e o recomendou. Ela já tinha mais de 80 anos nessa época e eu era um dos seus netos mais novos, filho da sétima filha de oito irmãos. Foi um dos momentos de maior intimidade/troca que eu tive com ela. Uma das boas memórias que guardo da nossa relação e uma das leituras (como “O Anjo Pornográfico”) que me jogaram de cabeça nesse negócio de jornalismo. Gabriel García Marquéz morreu hoje como um dia morreu minha avó e como todos vamos morrer. Sou agradecido por ele ter deixado por seu caminho livros que mudam vidas, engravidam a memória e unem pessoas.

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45 livros e HQs que li (e me inspiraram) em 2013, por Fred Di Giacomo

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Bem-vindos a 2014! Começo de ano é época de retrospectiva nerd com a querida listinha de livros lidos . Como já escrevi antes, acredito que os livros sejam os melhores professores que você pode encontrar na vida. Em 2013, me dediquei a ler um pouco mais de filosofia para preencher minha lacuna teórica e escrever os artigos sobre felicidade para o Glück Project (projetinho que tenho tocado nos últimos 4 meses, direto da Alemanha). Entre os 45 volumes que li, passei por obras de Aristóteles, Platão, Freud, Bertrand Russel e Lauzi, que me ajudaram a entender um pouco mais o que chamamos de “felicidade”. Também aproveitei meus 6 meses sabáticos e gastei um bom tempinho lendo milhares de páginas da série “Crônicas de Gelo e Fogo” (Game of Thrones) e me dediquei a alguns clássicos como “Moby Dick” e “The Tempest”, do Shakespeare. E, desta vez, reuni na listinha todos quadrinhos lidos no ano. Corri atrás do atraso e fui ler alguns clássicos das HQS como “Sandman”, “V de Vingança” e “Diomedes”. Os três são uma aula de storytelling muito legal pra quem se interessa pela fusão de imagem e texto.

As regras da brincadeira: 
1)As avaliações são de quanto me diverti e gostei da ler cada livro. Não estou levando em conta a importância histórica, relevância e influência de cada obra. Por isso Miranda July ganha de Aristóteles
2)Eliminei os decimais, então livros que eram 4,5 viraram 4, por exemplo. 
3)Não avalio livros de amigos, parceiros, nem o meu próprio. Não seria justo.
4)O que valem é quantidade de carinhas felizes pra cada livro. A ordem dos livros não altera o produto.
5) Quando li o livro em inglês, deixei o título em inglês. 

🙂 🙂 🙂🙂 🙂 
O mal-estar da CulturaSigmund Freud
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No que acredito
, Bertrand Russell
Moby Dick, Herman Melville
Tao Te Ching, Lauzi
Barba ensopada de sangue, Daniel Galera 
V for Vendetta (HQ),
Allan Moore e David Lloyd
Just Kids, Patti Smith
O escolhido foi você, Miranda July
Casa de Bonecas, Henrik Ibsen
A República
, Platão
The Tempest, William Shakespeare
Sandman: Preludes and Nocturnes (HQ), Neil Gaiman
A Tormenta de Espadas: As Crônicas de Gelo e Fogo Vol. 3, George R. R.

🙂 🙂 🙂 🙂
Diomedes (HQ), Lourenço Mutarelli
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Ética a Nicômaco
, Aristóteles
Roube como um artista, Austin Kleon
Charles Bukowski: Locked in the arms of crazy life, Howard Sounes
Down and Out in Paris and London, George Orwell
Malagueta, Perus e Bacanaço, João Antônio
A dança dos dragões
,
George R. R. Martin
Homage to Catalonia, George Orwell 
O Clube do Suicídio,
Robert Louis Stevenson
Dias de Luta: o rock e o Brasil dos anos 80, Ricardo Alexandre
O Chamado de Cthulhu e outros contos, H.P. Lovercraft
A visita cruel do tempo
, Jennifer Egan
Fábulas Chinesas, organização e tradução de Sérgio Capparelli & Márcia Schmaltz

🙂 🙂 🙂
O festim dos corvos, George R. R. Martin
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Galáxias, Haroldo de Campos
This is a Call: Life and times of Dave Grohl
, Paul Brannigan
Mundo Pet (HQ), Lourenço Mutarelli
Epilético 2 (HQ) , David B.
ENVIE MEU DICIONÁRIO: Cartas e Alguma poesia, Paulo Leminski e Régis Bonvicino
Hard Art: DC 1979
, Lucian Perkins e Alec McKaye
My Dirty Dumb Eyes (HQ), Lisa Hanawalt
Metallica: A Biografia, Mick Wall
Tudo o que toca o olhar, Francesca Cricelli
Bichos do Lixo, Ferreira Gullar

🙂 🙂
O amor é um cão dos diabos,
Charles Bukowski
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Topsy Turvy (HQ),
Jason Jägel 
A segunda vida de Djon de Nha Bia
, Nuno Rebocho
Gasoline, Gregory Corso

🙂
Prontuário 666 (HQ) , Samuel Casal
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O estuprador deprimido e outras pessoas comuns, Leonardo Vinhas

Livros de brothers
Haicais Animais, Fred Di Giacomo
Big Jato, Xico Sá

– Se você curtiu a lista, pode encontrar os livros no site da Livraria Cultura

Leia a resenha do livro “Trilogia Suja de Havana” do escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez.

Esse post foi originalmente publicado no site Punk Brega, de onde mantive os links do texto

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Capa da edição da Cia das Letras para o romance de Pedro Juan Gutiérrez

Capa da edição da Cia das Letras para o romance de Pedro Juan Gutiérrez

por Fred Di Giacomo

Em todas as biografias do cubano Pedro Juan Gutiérrez – nascido em 27/01/1950 – você vai encontrar as informações de que ele é um Henry Miller dos trópicos( Mesmo que Miller também tenha seus trópicos de Câncer e de Capricórnio) ou um Bukowski que trocou o whisky barato por rum vagabundo. Você também vai saber que este filho de sorveteiro já teve as mais variadas profissõesdesde os onze anos de idade: vendedor de jornais, instrutor de caiaque, cortador de cana de açúcar, operário agrícola, soldado, locutor de rádio e jornalista.Mas porque tanta preocupação com a vida do autor? Porque a escrita de Pedro Juan, assim como dos autores acima citados, é autobiográfica. O personagem principal de sua principal obra é um ex-jornalista careca, que vive de bicos próximo ao Malecon – calçadão barra-pesada de Cuba – traçando todas as mulheres que pode, enquanto tenta fugir das crises que se abatem sobre sua cabeça. Uma das crises é a econômica que varreu Cuba a partir dos anos 90 com o fim da URSS e o endurecimento do embargo norte-americano. Outra, a crise pessoal que fez o autor pensar diversas vezes no suicídio, como deixa claro em alguns trechos de sua obra e em entrevistas: Sempre sonhava em pular dali(do beiral do prédio) e sair voando e me sentir o cara mais livre do mundo.

“Trilogia Suja de Havana” são três livros – reunidos em um só volume – escritos dolorosamente entre 1994 e 1997. Todos são formados por pequenos contos e crônicas que se entrelaçam formando uma única narrativa, a história de Pedro Juan e seus vizinhos miseráveis, se virando para sobreviver na ilha. Alguns pontos são sempre reforçados pelo autor repetitivamente, como se para exorcizar um trauma, como se tivesse que afirmar diversas vezes aquela realidade até que ela se tornasse ficção. Algumas das frases que vão criando o clima de cotidiano na obra: No total vivem 50 pessoas (amontoados no cortiço). Subo os oito andares até o terraço. (O elevador está sempre quebrado). Não precisa muito: algum dinheiro, comida, um pouco de rum, charutos e uma mulher. Nessa filosofia de vida, Pedro Juan se assemelha muito a Henry Miller que dizia que só queria Um punhado de livros, um punhado de sonhos e um punhado de vulvas. Fazendo uma rápida análise subjetiva, o primeiro volume “Ancorado na Terra de Ninguém” é muito autobiográfico, trazendo um Pedro Juan que parece ter acabado de largar o jornalismo, com alguns amigos intelectuais, seu filho adolescente, sua busca pelo equilíbrio zen. “Nada para fazer”, escrito cerca de um ano depois, é mais depressivo. O alter-ego do autor está ainda mais mergulhado na miséria, mais marginal, cínico, transformado quase num cafetão egoísta. A terceira parte “Sabor a Mi” é a mais ficcional. Alguns de seus contos nem são narrados em primeira pessoa, os narradores se multiplicam em uma rica fauna caribenha que vai de traficantes de drogas, à uma mulher violentada por ladrões, passando por uma temporada de dois anos de Pedro Juan preso por se prostituir em Cuba. (Coisa que Gutiérrez afirma nunca ter feito na vida real, em entrevista dada a revista Playboy).

Em “Trilogia”, Pedro Juan é um jornalista desempregado, que abandonou o trabalho por não querer mais fazer matérias parciais, nas quais não pode mostrar a realidade do país. Por isso se dedica à literatura e seu “realismo sujo”. No entanto, o Pedro Gutiérrez de carne e osso trabalhou como jornalista até publicar seu livro em 1998. Formado em 1978 pela “Universida de La Habana” mediante um curso especial para trabalhadores, ele teve que ficar fora de Cuba três meses divulgando suas obras na Espanha. Quando retornou foi demitido da revista “Bohemia”, da qual era colaborador, por ter, supostamente, se ausentado sem permissão. Sobre a demissão Pedro Juan fala, sem criticar muito o governo, em entrevista para a Playboy: O governo até me convidou, no ano passado, para promover “A Melancolia dos Leões”(obra de realismo fantástico de Guitiérrez). Cuba não é uma ditadura policial, onde vão te dar um tiro se você criticar o governo. Mas podem tornar as coisas difíceis para você. Eu, por exemplo, fui banido da profissão de jornalista.

Pedro Juan Gutierrez dança com prostituta na Boca do Lixo de São Paulo. Leia mais sobre essa noite aqui: http://socialistamorena.cartacapital.com.br/perdido-numa-noite-suja-com-pedro-juan-gutierrez/

Pedro Juan Gutierrez dança com prostituta na Boca do Lixo de São Paulo. Leia mais sobre essa noite aqui: http://socialistamorena.cartacapital.com.br/perdido-numa-noite-suja-com-pedro-juan-gutierrez/

Mesmo, tendo emprego enquanto escrevia sua primeira e mais conhecida obra, Gutiérrez também teve que fazer alguns biscates – única alternativa, junto com a prostituição, que resta aos personagens de “Trilogia”. Em “Os Canibais”, conto da última parte do livro, um dos personagens chega a vender fígado humano, fingindo ser fígado de porco. Aquilo é uma mistura de realidade e ficção. Eu não lidava com latinhas, nem com fígado, muito menos humano. Vendia canecas, isqueiros, bonés, explica o autor. Assim como a maioria de seus personagens, Pedro Juan dá um jeito de sobreviver. Se é atacado pela polícia(O que há de mais próximo de um delinquente é um policial), pela fome e por ciclones, ele responde com muito sexo: promíscuo, sensual, quase ginecológico de tão descritivo. Mulatas, brancas, negras, velhas e jovens, gordas e magras. Sujas, suadas, cansadas, todas envolvidas em uma orgia que atravessa as páginas de cada conto. Em certo momento o narrador se preocupa: transou com mais de 20 mulheres em um ano e tem medo da Aids. Quando não se escora no sexo, enche a cabeça de rum, o mais barato que tiver, ou maconha, charutos, ou mesmo uma simples gargalhada para lhe animar o moral e não fazer como os fracos que se atiram de cima dos velhos edifícios de Havana. É isso que eu quero: aprender a rir às gargalhadas de mim mesmo. Sempre, mesmo que me cortem os ovos, diz em “Esmagado pela merda”, história na qual conhece um velho diabético que teve as pernas e os testículos amputados graças às diabetes. Ou então: Estava pensando em todas essas coisas e de repente me levantei com um pulo e ri. Amplamente. Um bom sorriso, desnecessário e absurdo, é um tônico. Sempre dá resultado comigo, de “Solitário resistindo”. Segundo o Gutiérrez, alguns autores tem fixação por crimes e arranjam diversas maneiras diferentes de matar seus personagens ao longo de novelas policiais. Já ele tem fixação por sexo, e por isso este se torna personagem principal de sua obra. Talvez o horror à morte aliado à obsessão pelo ato sexual, esteja incrustado no próprio DNA de sobrevivência de Pedro Juan. Ele nega a possibilidade da morte, do fracasso, do suicídio, se agarrando desesperadamente ao prazer de seus orgasmos, em uma atitude freudiana.

Em uma entrevista à revista Bravo!, na época do lançamento de “Trilogia Suja de Havna”, Gutiérrez diz que só conheceu Bukowski e Henry Miller pouco tempo antes de terminar o livro. Talvez sua proximidade com os dois esteja na resolução que tomou aos vinte anos para se tornar um bom escritor: Tengo que tener muchas mujeres, viajar todo lo que pueda y conocer todo tipo de gente. Sua primeira paixão platônica foi aos 8 anos por uma puta, e sua primeira vez aos 17 com uma bezerra. Sua pintura e sua escrita também tem influência dos quadrinhos norte-americanos, que leu às dezenas em sua infância, desde que se alfabetizou quando tinha entre 6 e 7 anos. De outra de suas influências, Ernest Hemingway, Gutiérrez leva a profissão de fé: “um escritor precisa manter o detector de merda funcionando.” Esse lema está presente em todo o conto “Eu, revirador de merda”, de “Ancorado na Terra de Ninguém”, como se pode perceber nos trechos:

Este é meu ofício: revirador de merdaA arte só serve para alguma coisa se for irreverente, atormentada, cheia de pesadelos e desespero. Quem atinge o repouso em equilíbrio está perto demais de Deus para ser artista.

Mas, e afinal, descrevendo tanta miséria, e ainda assim amando Cuba, Pedro Juan e sua “Trilogia Suja de Havana” estão ao lado de Fidel ou de seus opositores, exilados em Miami? O autor evita entrar em discussões ideológicas ao máximo. Sua obra está no limite entre jornalismo e ficção. Na tênue linha que diz que Hunter S. Thompson é jornalista que e Burroughs é escritor. Não há grandes teorias ou elucubrações, seu texto retrata o submundo cubano como se fosse uma fotografia, uma reportagem que busca a utópica objetividade, que dá voz aos personagens reais, para que eles deixem nas páginas o registro de suas existências, sem fazer muito juízo de valor. Quando a revista Veja tenta tirar uma declaração mais política de Gutiérrez ele responde: É incrível o comentário que li no Miami Herald. Eles não falam de literatura, falam como se eu fosse um político. As leituras dos dois lados me dão raiva, porque diminuem o valor de meu trabalho literário e tentam me manipular. Por isso trato de me afastar o máximo possível da política. Façamos a vontade do autor e encerremos esta resenha com o fim do raio-x de sua literatura crua, sensual, sincera e desesperada. Os governos mudam, mas a natureza humana permanece igual.

-Leia uma excelente reportagem com Pedro Juan Gutiérrez vagando pela Boca do Lixo de São Paulo

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Resenhas de clássicos: “A Revolução dos Bichos”, George Orwell

esse post foi originalmente escrito em 2003 para o Zine Kaos.

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George Orwell fez parte de um grupo de escritores engajados que não se prendeu apenas às palavras partindo para ação. Um grupo de escritores que viveram uma época de revoluções (principalmente a Revolução Russa de 1917 e a Guerra Civil Espanhola, mas também a Revolução Mexicana e as duas Grandes Guerras Mundiais). George abandonou seu passado burguês, seu antigo nome (Eric Arthur Blair) e foi lutar por seus ideais assim como John Reed e Ernest Hemingway. O escritor inglês se meteu na sangrenta Guerra Civil espanhola lutando no POUM (Partido Obreiro de Unificação Marxista) ao lado dos anarquistas, ao contrário da maioria dos voluntários que se alistaram nas Brigadas Internacionais, ligadas ao ortodoxo Partido Comunista Soviético. Da guerra saiu decidido por um socialismo independente, criticando duramente o totalitarismo de Stálin, essa crítica acabaria se tornando livro em A Revolução dos Bichos, publicado em 1945.

A Revolução dos Bichos é uma dura crítica ao fim levado pela Revolução Russa de 1917, à sua burocratização e sua transformação em ditadura. Não é um ataque ao socialismo em si, mas sim ao totalitarismo. Essa crítica voltaria na outra obra prima de Orwell, “1984”. Publicado em 1949, esse livro retrata uma sociedade em um futuro próximo, completamente repressora, onde todas as pessoas são vigiadas pelo “Big Brother”.

A Revolução dos Bichos

Voltando a “Revolução dos Bichos”, o livro não deixou sua marca por uma linguagem ou narrativa inovadora, mas sim por  sua crítica ácida à nossa sociedade e, não só à Revolução Russa, mas a todas revoluções que terminam com uma nova elite tomando o poder, que acabam sem o povo soberano, sem ser estabelecida a igualdade entre todos… A narrativa de Orwell é extremamente simples, concisa e jornalística, seu curto livro é contado como uma fábula moderna, na qual os animais falam e pensam. Suas metáforas são diretas: o corvo negro representa os padres, que pregam a salvação aos animais explorados e uma vida melhor (uma montanha de açúcar) àqueles que trabalharem em vida; as ovelhas representam os homens que, como um rebanho, seguem os líderes sem pensar; os porcos são os animais inteligentes que conduzem a revolução e depois acabam se tornando a nova elite (Os burocratas da União Soviética). Alguns personagens se assemelham aos líderes soviéticos, como é o caso dos porcos Napoleão (Stálin, o líder tirânico que estimula o culto a sua personalidade e persegue cruelmente seus adversários), Bola de Neve (Trotsky, como o líder perseguido, apontado como inimigo, e que tinha como intuito espalhar a revolução para todo o mundo) e Major (Lênin, o primeiro revolucionário, que passa os ensinamentos a seus subordinados, e que após sua morte tem seu corpo exposto e venerado pelos outros animais, como a múmia de Lênin na URSS).

Os animais de Orwell representam o proletário enquanto nós humanos somos a burguesia exploradora… Após a bem sucedida revolução, os bichos passam por todas as etapas conhecidas pela humanidade (a euforia, as tentativas de contra revolução e a formação de uma nova elite dominante…) No final genial os porcos vão cada vez mais se assemelhando aos humanos, no jeito de se vestir, nos hábitos, na forma de exploração e Orwell termina com a constatação : “(…) já se tornara impossível distinguir quem era homem e quem era porco.”

24/08/03.

Título original: Animal Farm
Autor: George Orwell

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Resenhas de clássicos: “O Germinal” de Émile Zóla

publicado originalmente no site Punk Brega
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Sufocado pelo pó negro da hulha, do carvão, o grito dos mineiros explorados ecoa pelas profundezas das galerias construídas com o sangue do povo para fazer a máquina da Revolução Industrial funcionar. Foi esse grito que Émile Zola traduziu em 1881 na sua obra prima “Germinal”, uma romance realista sobre as lutas e dificuldades de uma comunidade de mineiros no interior da França.

Jornalista, assim como Balzac, um “gonzo do século XIX”, Zola defendia que “o romancista assumisse o papel de experimentador que pesquisa os caracteres hereditários do homem e as transformações que sofre em conseqüência do ambiente social em que está inserido”. A esse tipo de obra o francês chamou “romance experimental”. E é com uma riqueza de detalhes, que nos fazem crer que o livro foi escrito por um carvoeiro francês, que o autor descreve o dia-a-dia dos operários imundos das minas de Montsu usando uma linguagem realista/naturalista que nos faz lembrar “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, em sua descrição de miséria, comparando constantemente os homens e seus desejos aos animais, ressaltando a influência do meio na formação dos seres humanos, dando destaque aos instintos sexuais que levam os homens a se nivelar à mais selvagem das bestas. Afinal, no fundo somos todos animais, lutando contra a morte, fornicando, defecando e comendo numa luta diária pela sobrevivência.

 

O “Germinal” é sem dúvida um livro básico para aquele que quer entender o crepúsculo do marxismo e as revoltas populares do século XIX. Como um jornalista diante de uma grande reportagem, Émile Zola reúne os fatos que marcaram sua época como a criação da Internacional Socialista, as teorias de Karl Marx, de Charles Darwin, os atentados anarquistas, todas as ideologias revolucionárias que incendiaram um século fascinante, uma era conhecida outrora como a primavera dos povos! Lá está cada personagem típico, representante de correntes e classes do período. Há o terrorista anarquista na pele do russo Suavarin, o socialista moderado (ou social-democrata) vivido pelo taberneiro Rasseneur e o líder operário comunista, o protagonista Etienne. Chamá-lo de herói no sentido romântico da palavra não caberia aqui. No realismo do “Germinal”, o “mocinho” Etienne é cheio de dúvidas, deixa-se dominar pelo orgulho em certas horas (quando julga-se superior aos outros mineiros) e passa a maior parte da história frustrado amorosamente. Aqui o herói, o líder, é desacreditado, apedrejado, olhado com desconfiança, traído como o foram milhares de vezes os líderes revolucionários. Etienne guarda algumas leves semelhanças com Raskolnikof de “Crime e Castigo” em suas reflexões ardentes, seus delírios, sua indecisão diante de necessidade de matar, sua vaidade que no romance russo vai ao extremo de o protagonista dividir a humanidade em seres “extraordinários” e “ordinários”. Ambos são levados pela miséria a atos desesperados.

A história de “Germinal” cheia de nuances e personagens seria impossível de ser narrada aqui. Resumidamente ela destaca o trajeto de um desempregado vagando pelas estradas da França, em uma período de depressão econômica (como a dupla de andarilhos em “Ratos e homens” de Steinbeck), que chega a uma região carbonífera e acaba empregando-se numa das minas para fugir da fome. Ao mesmo tempo que trava contato com as idéias socialistas o “ex-andarilho”, Etienne se apaixona por Catherine, filha de uma família que a gerações trabalha e morre na mina Voeux. A própria mina acaba tornando-se personagem principal na história. Sempre alimentando-se dos trabalhadores ela tem sua “morte” narrada com tons dramáticos. Um dos pontos principais do livro é a greve liderada por Etienne.

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Apesar da clara tendência socialista do autor, da defesa dos proletariados e do final esperançoso, não existe maniqueísmo nas palavras de Zola. Até a burguesia tem seus lances de heroísmo (como no caso do engenheiro Negrél) e bondade. A massa, por sua vez, também é capaz das mas brutais injustiças e muitas vezes questiona-se se os trabalhadores apenas querem tornar-se novos burgueses.

A linguagem simples de Zola reconstitui sem firulas um retrato exato do cotidiano da época, mais forte talvez que as descrições frias dos historiadores. O “Germinal é uma ferramenta fundamental para se entender a luta dos trabalhadores, o ambiente propício para a expansão do socialismo e os acontecimentos espremidos entre a “Revolução Francesa”, a “Revolução Industrial” e a “Primeira Guerra Mundial”. Lê-lo é embarcar no drama dos mineiros com os pulmões negros de hulha, das mães que assistem as filhas definharem de fome, dos homens que servem de alimento para o capital, da lenta metamorfose dos camponeses de outrora em máquinas com almas.

-Compre o livro “Germinal” e ajude nosso blog 🙂

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3 haicais sobre… animais

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1)Dá pra aceitar?
Baleia não é peixe
Mas vive no mar

2)Muito gigante
Deve ser cocô bege
Do elefante

3)Sem preconceitos!
Hamsters e ratos têm
mesmos direitos

Esses 3 haicais fazem parte do livro “Haicais Animais” do escritor e criador do blog 3 LIVROS SOBRE, Fred Di Giacomo. Se você quiser comprar o livro de dia das crianças para o seu filho é só clicar aqui. 

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listas

3 livros para crianças que os adultos adoram

Alice no País das Maravilhas, Lewis Carrol
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“Alice no País das Maravilhas” surgiu das histórias criadas de improviso por Lewis Carrol para entreter a pequena Alice Liddel e seus irmãos num passeio de barco. O livro (e sua sequência “Alice no Outro lado do Espelho”) acabou se tornando um dos maiores clássicos da literatura mundial, tendo influenciado romances cabeçudos como “Finnegans Wake” de James Joyce e a prestigiada séria de quadrinhos “Sandman”, de Neil Gaiman.

Onde vivem os monstros, Maurice Sendak
Maurice Sendak - Onde vivem os monstros

O clássico americano “Onde vivem os monstros” – criado pelo ilustrador e escritor Maurice Sendak – talvez seja o livro mais “infantil” da nossa lista, mas acabou ganhando um status cult nos EUA ao aliar grande arte, texto minimalista e sentimentos negativos vividos pelas crianças como raiva, tédio e angústia. Deu origem a um filme sombrio e adulto de mesmo nome, dirigido por Spike Jonze.

O pequeno príncipe, Saint-Exupéry
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Livro predileto das misses desse mundão de meu Deus, “O pequeno príncipe” – terceiro livro mais traduzido no mundo – esconde atrás de sua cara infantil fartas camadas de filosofia pop. A leitura do clássico existencialista de Saint-Exupéry, tavez até agrade mais adultos, já que pode soar tediosa para crianças pequenas.

Leia também:
-Resenha completa do livro “Onde vivem os monstros”
-7 livros que toda criança deveria ler

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Resenhas de clássicos: “Trópico de Câncer” de Henry Miller

originalmente postado (por mim mesmo) no site Punk Brega
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Como cenário a Paris entre guerras, como definição as palavras do próprio autor: “Isto não é um livro. É libelo, é calúnia, difamação…”, como prefácio uma declaração de Ralph Waldo Emerson simplificando: “Estes romances cederão lugar, pouco a pouco, a diários ou autobiografias…” E assim a vida se transforma em arte nas letras do pai da geração beat, o maldito, “Henry Miller”. Nascido no Brooklyn em 1891, Henry Valentine Miller representa um ponto de virada na literatura mundial, uma influência para autores como Allen Ginsberg, a geração hippie, beatnick e sua obsessão por liberdade sexual, viagens e boemia. Henry influenciou esses poetas “marginais” até na forma autobiográfica de escrever já que em seus livros ele é o personagem principal, mas suas histórias não são totalmente reais, são uma mistura de ficção e realidade num tipo de Bukowski mais elaborado e surrealista.

Suspiros de surrealismo, filosofia nietzschiana, influências de escritores “eróticos” como Céline e DH Lawrence (que ele rejeitava até ler “D.H. Lawrence: an unprofissional study”, livro de sua amante, Anaïs Nin), tudo isso borbulha nas páginas de Trópico de Câncer, mas há algo a mais ali. Não é pornográfico como seus censores acusaram ao conseguirem manter sua obra inédita por 30 anos nos países de língua inglesa até que o poeta beat, Lawrence Ferlinghetti, a publicasse: é humano, demasiadamente humano. É um homem em busca de si mesmo, uma descoberta a cada página, uma canção de libertação…

Estamos nos subúrbios e cabarés da Paris dos anos 30, a guerra é uma sombra que ronda incessantemente. Intelectuais, artistas, pintores, todos se reúnem para beber, transar e discutir, Henry está entre eles, mas não tem um tostão no bolso, está duro e vive de bicos (a prisão dos escritores: o jornalismo) e ajuda dos amigos. O anti-herói resmunga : “Sou um artista assalariado, obrigado a interpretar uma farsa intelectual sobre seus estúpidos narizes?”. Os capítulos vão revezando-se um após o outro sem ordem cronológica exata, carregados de fluxo de consciência e alternando reflexões surrealistas com relatos crus do cotidiano de Miller. O Clima é retratado fielmente no clássico erótico “Henry e June” de Philip Kaufman (diretor também de “Contos Secretos do Marquês de Sade” ), focado no triângulo amoroso entre Henry, sua esposa June e a escritora Anais Nïn, autora dos diários inspiradores da película (“Henry, June & Eu”). A busca é por grana e sexo, grana e sexo até não representarem mais nada, grana e sexo como formas de sobrevivência, sobrevivência como única alternativa, única alternativa: a vida. E essa Miller vive com tesão!

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Nos momentos “filosóficos” Miller remete a Nietzsche, filósofo que leu, saudou e parafraseou em alguns trechos de sua obra. Toma como profissão de fé a filosofia, que busca desmascarar o mundo dos ídolos, o Deus que não sabe dançar, que busca trazer ao homem os prazeres terrenos. Nietzsche previu mais de um século atrás o declínio da civilização ocidental, diz. O Henry Miller de Trópico de Câncer/Henry e June (no qual há uma cena em que ele discute o filósofo alemão) tem a mesma missão: libertar o ser humano de suas amarras, despertá-lo para a vida nessa existência que é única, como ele mesmo diz: “São homens e mulheres, pergunto a mim mesmo, ou são sombras, sombras de fantoches pendurados por invisíveis cordéis? Eles se movem aparentemente em liberdade, mas não tem para onde ir. Só em um reino são livres e lá talvez possam vaguear à vontade, mas ainda não aprenderam a levantar vôo”. E essa libertação inclui também a religião, a qual Miller despreza. Em um dos trechos ele e um amigo, ambos bêbados, vão assistir a uma missa, que ele descreve como se fosse um alienígena que nunca tivesse visto uma cerimônia religiosa, descreve-a de uma forma claustrofóbica, que o sufoca, pouco a pouco a até que ele fuja correndo da igreja.

Miller em sua busca acaba se desprendendo da necessidade de ser humano, declarando-se um “inumano”, descendente de uma árvore genealógica de artistas e pensadores que como ele buscavam viver desesperadamente no limite, buscando a paixão total, o fogo da criação, já que a partir disso, tudo é humano e dispensável. (“Enquanto estiver faltando aquela centelha de paixão, não há significação humana no ato”.) Como um modernista brasileiro, como “Oswald de Andrade” na peça “A morta” , ele clama para que se incendeiem as bibliotecas, museus e biografias. Que os mortos devorem os mortos e os vivos dancem!

Fred Di Giacomo, 22/05/04
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Resenhas de livros clássicos: “O amante de Lady Chatterley”, D.H. Lawrence

originalmente postado no site Punk Brega

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O primeiro homem a desabrochar Anaïs Nin(1903-1977) para o sexo e a procura da plena felicidade “física / psicológica” não foi seu amante Henry Miller, foi D.H. Lawrence(1885-1930). E a autora francesa nem precisou dormir com o Lawrence, bastou o contato com as polêmicas obras do modernista inglês, para que ela escrevesse seu primeiro livro “D.H. Lwarence: An Unprofessional Study”, publicado em 1932.

Lawrence morrera há apenas 2 anos, e era visto como um pornógrafo, autor menor, cuja obra estava mais ligada a escândalos que a excelência literária. O escritor tivera uma carreira prolífica: pintara quadros e escrevera poesias, contos, peças de teatro e romances. Nessa última seara cravou o mais doloroso prego em sua cruz: “O Amante de Lady Chatterley”(1928). Romance robusto, “O Amante de Lady Chatterley” nos leva a Inglaterra pós-Primeira Guerra Mundial, um país em rápida modernização, um império aristocrático dançando no ritmo do jazz e transformando-se em potência capitalista. São os últimos anos da hegemonia britânica, antes da ascensão americana, que se cristalizaria com a Segunda Guerra Mundial. Sua personagem principal é Constance – Lady Chatterley – jovem burguesa de formação livre e intelectual que se casa com o aristocrata Clifford, dono de minas de carvão em Wrgaby. Clifford pouco se importa com o sexo, mais preocupado com a “felicidade” intelectual/espiritual e posteriormente com seus negócios. Depois da participação na guerra, Clifford volta impotente e em uma cadeira de rodas. Constance – que havia perdido a virgindade antes do casamento – passa a ter uma vida estéril, vazia e sem emoção. Incapaz de encontrar o equilíbrio entre a felicidade física(que ela busca em um caso com o escritor irlandês Michaelis) e a felicidade espiritual(que às vezes ela pensa ter nos seus diálogos com Clifford ou em seus pequenos passeios pelo bosque). Quem vai chacoalhar sua vida e mostrar que as duas coisas são possíveis é o guarda-caças Oliver Mellors – por quem ela irá se apaixonar lentamente.

“O Amante de Lady Chatterley” foi censurado por mais de 3 décadas na Inglaterra e em diversos países de língua inglesa. O uso de palavras “indecentes”, as descrições dos atos sexuais, a relação entre uma burguesa e um trabalhador e a crítica à guerra, tudo isso era uma afronta à aristocrática ilha britânica. Para tentar ver a obra publicado em sua terra natal, Lawrence escreveu duas versões editadas do romance, que de tão diferentes podem ser consideradas novos livros. Só nos anos 60, com a liberação sexual, o sucesso dos autores beats e a descoberta de Henry Miller, é que a obra receberia a devida atenção. Para o leitor moderno, “O Amante de Lady Chatterley” não representará grandes sustos. A maior parte do livro trata das dúvidas existenciais de Constance, suas paixões e a vontade de escapar de Wrgaby. Quase uma “Madame Bovary”, menos ingênua e com um final mais feliz à sua espera. O clima esquenta no terço final da história. As relações entre Mellors e Constance são retratadas explicitamente, mais como algo natural, do que como pornográfico. O sexo é algo do qual nos devemos envergonhar? Algo extraordinário? Não, ele faz parte da receita da felicidade. O ritmo aumenta, as reflexões de Mellors e Constance passam a se tornar mais apaixonadas. Algumas passagens lembram os grandes discursos libertários de Henry Miller. Há um romantismo primitivista sempre presente. Um olhar crítico em relação à industrialização, ao ritmo acelerado e a ligação da sensação de satisfação, com a sensação de posse(“Se fosse possível fazê-las compreender que há grande diferença entre viver e gastar dinheiro. Se fossem educadas de modo a ‘sentir’ em vez de ‘ganhar e gastar’(…)”.) Pode soar ingênuo, mas são questões atuais, postas em pauta constantemente em nossos anos “sustentáveis”. É atual também a busca de uma terceira opção, entre o capitalismo industrial e a doutrinação bolchevique.

O romance que parecia lento acaba no ápice. É como se todo o livro fosse um grande relacionamento. Do primeiro olhar ao gozo triunfante. A busca dos personagens é pela satisfação completa, independente de sua classe, idade ou da opinião pública. Busca pelo prazer – não o prazer hedonista de orgias, eternas bebedeiras, grandes gastos -, mas um prazer quase epicurista do amor, da boa comida, da diversão possível.

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Trechos:

 -Aí está! Alguma coisa invisível! Para mim mesmo, sou alguma coisa. Compreendo o sentido da minha existência, embora admita que ninguém mais a compreenda.

_E essa existência perderia o sentido se vivêssemos juntos?(…)

-Talvez.

_E qual o sentido da sua existência?

_Já disse que é invisível. Não creio no mundo, nem no dinheiro, nem no progresso, nem no futuro da nossa civilização. Para que a humanidade tenha um futuro é necessário que uma grande mudança se dê.(…)

_Quer que eu lhe diga? Quer que eu lhe dia o que você tem e os outros homens não têm?(…) Coragem dos próprios sentimentos, coragem da ternura; essa coragem que o faz pôr a mão no meu rabo e dizer que tenho um magnífico rabo!

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3 livros para NÃO ler quando você tomar um pé na bunda

Acabou de terminar um romance e está a fim de ler um pouco para distrair a cabeça? PASSE LONGE DESTES 3 livros! A listinha que elaboramos abaixo reúne 3 histórias de amor com final infeliz, e que foram muito importantes para o seu tempo.

Atenção, o blog 3 LIVROS SOBRE adverte: Evite ler após um pé na bunda
1) Os sofrimentos do jovem Werther, J. Wolfgang von Goethe – Editora Nova Alexandria
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Lembra quando a música “Suicide Solution” do Ozzy Osbourne foi acusada de incentivar o suicídio de centena de jovens? Pois é, o impacto deste romance alemão  foi parecido na Europa do século XVIII. Marco do romantismo e da cultura alemã, “Os sofrimentos do jovem Werther” narra – através  de cartas – uma paixão arrebatadora que levará o apaixonado do título à tragédia. Fique longe se você estiver com o coração partido.

2) Bonsai, Alexandro  Zambra – Cosac Naif
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Primeiro romance do poeta chileno Alejandro Zambra, “Bonsai” é uma narrativa curta e contemporânea de uma história de amor entre dois jovens universitários. O primeiro parágrafo já entrega o enredo deste livro minimalista de final trágico: “No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho antes da morte dela, de Emilia. Digamos que ela se chama ou se chamava Emilia e que ele se chama, se chamava e continua se chamando Julio. Julio e Emilia. No final, Emilia morre e Julio não morre. O resto é literatura.”

3) Romeu e Julieta, William Shakespeare – Martin Claret

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Um clichê necessário, “Romeu e Julieta” – peça de William Shakespeare – é o grande símbolo do amor impossível. Na Itália renascentista, dois jovens de famílias rivais se apaixonam loucamente. O amor proibido vai levar o jovem casal à morte depois de uma sequência de erros e falhas de comunicação impossíveis de se repetirem nos nossos tempos de celular e redes sociais. O enredo da peça tem sua origem na Grécia Antiga, mas a versão de Shakespeare acabou se tornando a definitiva e ainda ganha inúmeras adaptações para teatro, literatura e cinema.

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