3 livros sobre… mulheres que traem

por Fred Di Giacomo e Karin Hueck


1) Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, Marçal Aquino (Companhia das Letras)

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Lavínia é um espetáculo: morena fogosa, ex-garota de programa ninfomaníaca. Ela é casada com Ernani, um pastor evangélico 38 anos mais velho, que literalmente a tirou daquela vida. Quando o fotógrafo Cauby vai para a pequena cidade no interior do Pará onde o casal mora, não é difícil saber o que vai acontecer. Cauby e Lavínia têm um caso caliente, escandalizando a cidadezinha – que, aliás, vive uma nova corrida do ouro amazônica. É mistura explosiva. Livro sensual e lindo, que virou filme que consegue ser igualmente sensual e lindo.

2) Madame Bovary, Gustave Flaubert (Companhia das Letras)
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Uma pequena burguesa entediada casa com o marido apaixonado e sem sal. Consumida pelo tédio e estimulada pelos romances sentimentais, ela procura a felicidade nos casos amorosos que a levarão à ruína. Emma Bovary, personagem principal do grande romance de Flaubert, inventou o estereótipo da “mulher que trai”. Curiosamente Flaubert dizia que a romântica Bovary era ele mesmo. (Emma Bovary c’est moi“) O romance provocou polêmica quando lançado e quase levou seu autor para cadeia. É interessante perceber que o romantismo erótico que move Emma é parecido com o de Anastasia Steele do best-seller “50 tons de cinza”,mas no século XXI, a mulher em busca de satisfação sexual não precisa se envolver em casos extraconjugais nem morrer (ainda bem) no final do livro.

3)Primo Basílio, Eça de Queirós (várias editoras)

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Uma pequena burguesa entediada casa com o marido apaixonado e sem sal. Consumida pelo tédio e estimulada pelos romances sentimentais, ela procura a felicidade nos casos amorosos que a levarão à ruína.

Não, eu não me confundi, a premissa do clássico de Queirós – que você deve ter lido no colegial – é a mesma de “Madame Bovary”. Claramente influenciado por Flaubert, o escritor português expande a história de Emma Bovary em Luísa, a pequena burguesa apaixonado pelo primo  que dá título ao livro. Aprofundando as questões propostas por Flaubert pouco menos de 2o anos antes e hábil nas passagens suavemente eróticas, Queirós era preferido por grandes escritores como Zola e Borges. Na dúvida, leia os dois livros.

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Moacyr Scliar fala sobre a possibilidade de “A Vida de Pi” ser plágio de seu livro “Max e Os Felinos”.

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O escritor gaúcho Moacyr Scliar morreu em 2011, antes de ver o livro “A Vida de Pi” (Rocco) ganhar os cinemas 3D como “As Aventuras de Pi”. Bom, mas o que Scliar tem a ver com o vencedor do Book Prize –  “A Vida de Pi”? Oras, o argumento principal do livro do canadense Yan Martell (“um menino náufrago acaba preso num bote com um grande felino selvagem”) foi totalmente inspirado no livro “Max e os Felinos” de Scliar. Martel admitiu isso, mas – a princípio – de uma forma arrogante, como Scliar explica na bela entrevista abaixo.

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