3 livros para crianças que os adultos adoram

Alice no País das Maravilhas, Lewis Carrol
alice-pais-maravilhas-capa-livro
“Alice no País das Maravilhas” surgiu das histórias criadas de improviso por Lewis Carrol para entreter a pequena Alice Liddel e seus irmãos num passeio de barco. O livro (e sua sequência “Alice no Outro lado do Espelho”) acabou se tornando um dos maiores clássicos da literatura mundial, tendo influenciado romances cabeçudos como “Finnegans Wake” de James Joyce e a prestigiada séria de quadrinhos “Sandman”, de Neil Gaiman.

Onde vivem os monstros, Maurice Sendak
Maurice Sendak - Onde vivem os monstros

O clássico americano “Onde vivem os monstros” – criado pelo ilustrador e escritor Maurice Sendak – talvez seja o livro mais “infantil” da nossa lista, mas acabou ganhando um status cult nos EUA ao aliar grande arte, texto minimalista e sentimentos negativos vividos pelas crianças como raiva, tédio e angústia. Deu origem a um filme sombrio e adulto de mesmo nome, dirigido por Spike Jonze.

O pequeno príncipe, Saint-Exupéry
O-Pequeno-Principe

Livro predileto das misses desse mundão de meu Deus, “O pequeno príncipe” – terceiro livro mais traduzido no mundo – esconde atrás de sua cara infantil fartas camadas de filosofia pop. A leitura do clássico existencialista de Saint-Exupéry, tavez até agrade mais adultos, já que pode soar tediosa para crianças pequenas.

Leia também:
-Resenha completa do livro “Onde vivem os monstros”
-7 livros que toda criança deveria ler

cropped-3livros_27.jpg

 

3 livros sobre… infância

por Fred Di Giacomo e Karin Hueck

Misto-Quente, Charles Bukowski (Editora L&PM)

resenha_bukowski_mistoquente1
Como todo mundo de carne e osso Henry  Chinaski (alter-ego do escritor Charles Bukowski) também é um perdedor e a escola é seu purgatório pessoal. Seu pequeno inferno. Freud deve ter algum estudo sobre os efeitos devastadores da escola na personalidade e ego das pessoas. Humilhações, repressão e castigos são o que você suporta durante pelo menos dez malditos anos da sua vida, e nos Estados Unidos o negócio parece ser pior. Numa terra onde status é tudo, o universo escolar é dividido entre os perdedores (os losers) e os “caras legais”. Não há meio termo; ou você está com eles ou eles estão contra você.  A linguagem aqui é direta e seca. Socos no estômago do leitor são distribuídos a cada página, mas com um maldito humor negro e a fina ironia. Isso diferencia Misto-Quente de outros clássicos sobre a juventude americana. Ele é uma versão underground de “As aventuras de Tom Sawyer” e um primo distante de Huck Finn. Vive num terreno arrasado pela depressão como o de “Ratos e Homens” de Steinbeck. O livro chegou a ter sua importância para os anos 80 comparada  com a que tcve “O Apanhador no Campo de Centeio” (sua grande inspiração) para os anos 50. Sem seu humor, Bukowski teria estourado a cabeça antes de publicar qualquer coisa. Ele foi um autor que não se contentou com as “verdades” dos livros, leu como um desesperado, mas também viveu a vida desesperadamente.

– Confira uma resenha mais longa deste livro aqui.

Big Jato, Xico Sá (Cia das Letras)

big-jato-xico-sa

Inspirado levemente na experiência pessoal do autor, Big Jato narra, em suas poucas páginas, a infância no sertão cearense. Seu protagonista é um menino que se diverte acompanhando o pai no fedorento trabalho (que consiste em esvaziar as fossas da cidade com o caminhão Big Jato) e ouvindo as reflexões do tio doidão e beatlemaníaco. Em meio à vida de cidadezinha pequena desenrolam-se o primeiro amor (não correspondido), a descoberta do sexo (na forma da masturbação que não perdoa nem a vó) e as brigas de família.

Infância, Maksim Górki (Cosac Naify)

infancia-gorki

A infância na Rússia no final do século 19 era dura. Neste livro, Maxim Górki relembra os primeiros anos de sua vida, em meio a muito frio, muito abandono e muitas surras. A história é digna de um pequeno Karamázov: a mãe de Górki abandona o filho para morar com um homem e o menino acaba criado por seus avós – ou melhor, sua avó: possivelmente uma das mais fortes figuras femininas da literatura russa. Sozinha, ela carrega a família nas costas, inclusive o marido alcoólatra e distante. Ainda assim, no meio de tanta desgraça, Górki narra uma história sensível, humana – alegre, por vezes – com um leve gosto de expurgação pessoal.

-Compre “Misto-Quente” de Charles Bukowski

tres livros sobre

3 livros sobre… MPB (a Música Popular Brasileira)

“Eu não sou cachorro não”, Paulo Cesar Araújo (Record)
eu-nao-sou-cachorro-nao-capa-paulo-cesar-araujo

De origem simples, o jornalista Paulo César Araújo sempre desejou ver seus ídolos musicais (como Odair José, Waldick Soriano, Wando e Nelson Ned) terem o mesmo tratamento respeitoso da Tropicália de Caetano ou a Bossa Nova de Tom Jobim. E conseguiu isso com uma bela reportagem sobre a música chamada de “brega” ou “cafona” durante o período da ditadura militar. Para quem quer conhecer mais sobre a música popular brasileira com P maiúsculo, sua relação com a ditadura e suas histórias mais saborosas (e trágicas) esse livro é um guia perfeito. Paulo César é também o autor da biografia “proibida” do “Rei” Roberto Carlos – leitura obrigatória para quem conseguir encontrar algum exemplar do livro censurado.

“Chega de Saudade”, Ruy Castro (Cia das Letras)
chega-de-saudades-ruy-castro

Como João Gilberto criou a batida de violão perfeita trancado num quarto por meses de pijama? Quem foi o parceiro desconhecido de Tom Jobim que ajudou o maestro a compor  “Desafinado”, mas morreu antes da bossa estourasr? Enquanto “Eu não sou cachorro não” trata da música romântica e colorida dos ídolos populares dos anos 60 e 70, “Chega de Saudade” volta seu olhar para os jovens cariocas de classe média que misturaram jazz com samba e revolucionaram a música brasileira criando a Bossa Nova. Ruy Castro é um mestre em contar boas histórias e recompor cenários de um Rio de Janeiro efervescente que não existe mais, o que torna a leitura deste livro musical uma ótima recomendação mesmo pra quem não é fã de João Gilberto, Tom Jobim  e Nara Leão.

“BRock”, Arthur Dapieve (Editora 34)
BRock-capa-artur-dapieve

Cansados da MPB de Chico, Gil e Caetano e aproveitando a liberdade que começava a raiar nos últimos dias da ditadura militar, os jovens brasileiros deixaram o samba de lado e passaram a fazer música com guitarras. Em “BRock” Arthur Dapieve  narra as aventuras das principais bandas brasileiras de rock dos anos 80, analisando também discos e shows da geração que revelou Cazuza, Legião Urbana, Titãs e Inocentes. Para quem se interessa pela época, recomendamos, também, “Dias de Luta” de Ricardo Alexandre e “O diário da turma 1976 – 1986: a história do rock de Brasilia”, de Paulo Marchetti.

tres livros sobre

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...