3 livros… para conquistar mulheres meio intelectuais, meio de esquerda

1) “Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”, Mia Couto (Companhia das Letras)

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Quem resistiria a trechos como esse: “Dormir com alguém é a intimidade maior. Dormir, isso é que é íntimo. Um homem dorme nos braços de uma mulher e a sua alma se transfere de vez. Nunca mais encontra suas interioridades”? Eu sei que eu não. Mia Couto é um moçambicano que ama palavras, mas ama tanto mesmo que resolve inventar um monte a cada novo livro que escreve (ele nunca escondeu que sua maior inspiração é Guimarães Rosa – ah tá). Neste aqui, ele narra a história de Marianinho, que retorna a sua ilha-natal, Luar-do-chão, para se despedir e enterrar seu avô, preso anda num estado misterioso de morre-não-morre. Durante sua estadia, o rapaz se depara com seu passado e descobre segredos que a família tentava esconder, inclusive sobre a morte de sua mãe, Mariavilhosa. Olha o nome dessas pessoas/lugares. Não tem como não se encantar.

2) “A insustentável leveza do ser”, Milan Kundera (Companhia das Letras)

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A história se passa em Praga, no fim da década de 1960, bem no meio da Primavera que leva o nome da cidade. Narra a vida de três personagens: Tomas, um médico mulherengo, sua esposa Teresa e a amante de Tomás, Sabina, uma artista maluquinha, daquelas que só se envolvem com homens casados, apenas para deixá-los perdidamente apaixonados. É ela, Sabina, que tenta tocar a vida com “a insustentável leveza do ser”. O livro é recheado de triângulos amorosos, passagens de sexo caliente (“Tomas mandou Sabina andar inteiramente nua sobre um espelho”) e citações filosóficas, de Nietzsche, de Kafka, de Beethoven (ele faz algo parecido com filosofia) – tudo em meio a uma sociedade em crise. Irresistível.

3) “Budapeste”, Chico Buarque (Companhia das Letras)

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Chico Buarque, para desespero de todos os homens da nação, além de compor, cantar e tocar, também escreve – e bem. Neste livro, o ghostwriter carioca José Costa acaba na Hungria, onde se envolve com uma local, Krista. Apaixonado pela dama e pela língua húngara (“a única que o diabo respeita”), José vira Zsoze Kósta, se esquece de voltar para sua mulher no Rio, a Vanda, e adota Budapeste como novo lar. É nesse pano de fundo que José, finalmente, vira um best-seller no mundo dos autores anônimos. No meio desse amor dividido – entre duas mulheres, duas pátrias, duas línguas – quem sai apaixonado é o leitor.

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