3 quadrinhos eróticos para mulheres

por Fred Di Giacomo

“Omaha: a stripper”, Reed Waller e Kate Worley

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Existe algo em comum entre o seriado “Sex and the City” e as músicas do Chico Buarque? Bom, eu aposto que existe e o quadrinho “Omaha, a stripper” também possui. Sabe o que é? É aquela tal “compreensão da alma feminina” que toda mulher adora. Não à toa, essa HQ tem uma mulher envolvida na sua criação. Sim, ninguém melhor para escrever sobre sexo para mulheres do que uma mulher que não vai ficar só bolando milhares de fantasias para satisfazer homens nerds tarados. Omaha é uma gata(literalmente) criada por Reed Walker, mas cujas histórias são escritas pela sua ex-esposa Kate Worley. Ela vem do interior dos EUA e se tona stripper e modelo para ganhar a vida. Aqui a temperatura é quente, mas sem apelação com bastante espaço pro roteiro e algum romance.

“Giovanna”, Giovanna Casotto

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“Giovanna” é uma coletânea de contos com fantasias femininas estreladas por italianas voluptosas que não lembram em nada as modelos anoréxicas que desfilam nas propagandas e novelas. A autora  (Giovanna Casotto) tira fotos dela mesma – nas mais variadas posições – e depois as usa como molde para suas personagens cheias de curvas. Aviso importante: as ilustrações da senhora Casotto são extremamente explícitas.

“Essa Bunch é um amor”, Aline Kominsky-Crumb

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“Essa Bunch é um amor” não é “só” uma HQ erótica, mas fala bastante de sexo. Em suas histórias autobiográficas, Aline Kominsky-Crumb relembra como perdeu a virgindade sem muito glamour na adolescência, retrata suas aventuras como uma groupie atrás de bandas de rock n’ roll e também confessa uma pulada de cerca quando já era casada com o gênio dos quadrinhos Robert Crumb. Todos os momentos são extremamente sinceros e comuns, registrando a sexualidade feminina sem tabus, mas também sem a tradicional ótica masculina da coisa – onde o único objetivo das personagens ninfomaníacas é satisfazer as taras dos marmanjos sonhadores.

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3 livros… para conquistar mulheres meio intelectuais, meio de esquerda

1) “Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”, Mia Couto (Companhia das Letras)

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Quem resistiria a trechos como esse: “Dormir com alguém é a intimidade maior. Dormir, isso é que é íntimo. Um homem dorme nos braços de uma mulher e a sua alma se transfere de vez. Nunca mais encontra suas interioridades”? Eu sei que eu não. Mia Couto é um moçambicano que ama palavras, mas ama tanto mesmo que resolve inventar um monte a cada novo livro que escreve (ele nunca escondeu que sua maior inspiração é Guimarães Rosa – ah tá). Neste aqui, ele narra a história de Marianinho, que retorna a sua ilha-natal, Luar-do-chão, para se despedir e enterrar seu avô, preso anda num estado misterioso de morre-não-morre. Durante sua estadia, o rapaz se depara com seu passado e descobre segredos que a família tentava esconder, inclusive sobre a morte de sua mãe, Mariavilhosa. Olha o nome dessas pessoas/lugares. Não tem como não se encantar.

2) “A insustentável leveza do ser”, Milan Kundera (Companhia das Letras)

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A história se passa em Praga, no fim da década de 1960, bem no meio da Primavera que leva o nome da cidade. Narra a vida de três personagens: Tomas, um médico mulherengo, sua esposa Teresa e a amante de Tomás, Sabina, uma artista maluquinha, daquelas que só se envolvem com homens casados, apenas para deixá-los perdidamente apaixonados. É ela, Sabina, que tenta tocar a vida com “a insustentável leveza do ser”. O livro é recheado de triângulos amorosos, passagens de sexo caliente (“Tomas mandou Sabina andar inteiramente nua sobre um espelho”) e citações filosóficas, de Nietzsche, de Kafka, de Beethoven (ele faz algo parecido com filosofia) – tudo em meio a uma sociedade em crise. Irresistível.

3) “Budapeste”, Chico Buarque (Companhia das Letras)

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Chico Buarque, para desespero de todos os homens da nação, além de compor, cantar e tocar, também escreve – e bem. Neste livro, o ghostwriter carioca José Costa acaba na Hungria, onde se envolve com uma local, Krista. Apaixonado pela dama e pela língua húngara (“a única que o diabo respeita”), José vira Zsoze Kósta, se esquece de voltar para sua mulher no Rio, a Vanda, e adota Budapeste como novo lar. É nesse pano de fundo que José, finalmente, vira um best-seller no mundo dos autores anônimos. No meio desse amor dividido – entre duas mulheres, duas pátrias, duas línguas – quem sai apaixonado é o leitor.

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